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quarta-feira, 7 de setembro de 2011

Tupac Amaru



(...) Enquanto este livro era produzido, Tupac morria em consequência de ferimentos à bala recebidos quando assistia à luta de boxe entre Mike Tyson e Bruce Seldon, em Las Vegas. Ele foi  atingido enquanto dirigia um carro onde também estava o co-fundador e presidente de Death Row Records(...). Mesmo que ele se gabasse da vida dura no bairro, levasse "vida de bandido" e ostentasse tatuagens de metralhadoras AK-47 no abdômem, seu sucesso "Dear Mama", indicado para o Grammy em 1995, era uma balada cheia de ternura, escrita para sua mãe. A mãe deTupac, Afeni Shaku, foi membro dos Panteras Negras e estava grávida de Tupac quando cumpriu pena sob acusação de planejar a explosão de lojas de departamentos e delegacias de polícia. Assim ele cantava: "Mesmo sendo viciada em crack, ela sempre foi minha raínha negra". O nome Tupac Amaru vem de um chefe inca do século XVI e significa "serpente que brilha". Tupac Amaru foi o último líder inca a ser derrotado pelos espanhóis, sendo executado em 1572. O movimento revolucionário Tupac Amaru, liderado por Nestor Cerpa Cartolini, mantém, atualmente, centenas de diplomas internacionais como reféns, na embaixada japonesa em Lima, Peru."





MCLAREN, Peter. Pedagogia Gangsta e Guetocentrismo: A Nação Hip-Hop como uma Esferas Contrapública. In Multiculturalismo Revolucionário: pedagogia do dissenso para o novo milênio. Ed. Artmed, Porto Alegre, 2000. (p.155 e 156)

terça-feira, 23 de agosto de 2011

Sabe etnografia

Pois é, é isso aí que estou fazendo
Infeliz ou felizmente os meus pesquisados em sua maioria não sabem o que etno ou mesmo o que seja monografia,
mas apesar de estar pirando, de fechar os olhos e ver veludos,
estou me divertindo também com tudo isso
e hoje, quero postar aqui as fotos que fiz na Biruta
tentei ao máximo preservar identidades, não divulgar as fotos em meus perfis, facebook e tal,
mas coloco aqui porque sei que a maioria dos visitantes são desconhecidos e nem sequer moram na cidade
E essa etapa da pesquisa foi feita no show da banda Facção Central, na Biruta. Favela Crew desceu em peso! Cyclonizados total!







Tem muito mais, mas por hoje é só






domingo, 14 de agosto de 2011

Sainha da Cyclone e pesquisa

Tá rolando essa semana a minha pesquisa sobre a Cyclone na loja Pranchão do North Shopping
Desde sexta-feira passo alguns períodos por lá e fazendo entrevista quando alguém se disponibiliza
Quero agradecer a todos os vendedores que são gente boa e ao gerente de lá que me liberou para pesquisar

Esses aí são são dois dos vendedores, o Washington e a Linda
E convido a todos que apareçam por lá por esses dias pra contribuir ou pra ver as roupas de surf que têm por lá, não só Cyclone, mas Smolder, Cilindro, Maresia, Quicksilver...


E aí eu experimentando uma sainha da Cyclone!
Não resisti!
Como vou falar de um objeto sem conhecê-lo, sem experimentá-lo?
Então, vestindo a sainha pude perceber
1- que ela é muuuito curta!!
2- que ela é muito pequena!!(normalmente visto tudo P e a M ficou bem apertada em mim)
3 - que ela é confortável
4- que o material é de boa qualidade
5- que eu em senti outra pessoa com ela
6- que ela provoca o desejo de alguém facinho, facinho

É, fiquei até com vontade de comprar a sainha. Claro, não faria parte do figurino da Sálvia, mas curti, como na montagem de um personagem, de vestir esse figurino. O problema é a grana - 100 continho... 




terça-feira, 9 de agosto de 2011

Balada do Louco e eu numa crise de risos

Saíndo daquela vibe down da semana passada, meu final de semana me energizou e essa é uma semana feliz
A música de hoje é uma celebração ao ato de "ser louco", do disco Mutantes e seus Cometas no país dos Baurets. Curtam a capa, curtam a música, curtam a letra e depois curtam minha crise de risos tentando falar para as câmeras



terça-feira, 2 de agosto de 2011

Sonho, inquietude e mar

Hoje a inquietude tá tomando conta do meu dia e de mim
Tive um sonho com o Mick Jagger, ele era novinho ainda, eu o perseguia e ele ficava afim de mim, pena que acordei pra ter um dia bem puxado,
recebendo alguma pressões
prazos
cobranças de posições...
tem horas que as certezas se esvaem
e que algumas pessoas fazem uma falta enorme em nossas vidinhas
Devo ser mesmo um ser bipolar,
devo estar nas crises deprês que tenho de vez em quando
E como minha psicóloga tá de férias, apelo aqui ao blog pra botar pra fora essas angústias
que aprendi ao longo da vida que são saudáveis,
pois é diante das crises, das incertezas e dos problemas que temos a oportunidade de criar e de buscar soluções
E acho que to precisando mesmo é de tomar um banho de mar, uma água de côco e sentir a textura gostosa da areia.
Praiaa - me aguarde

terça-feira, 26 de julho de 2011

Cabeça de Porco

O tempo começa a ficar cada vez mais curto, e eu bem perto de sair da faculdade
O meu assunto para o estudo monográfico já escolhi: a Cyclone
Nunca pensei que fosse me envolver tanto e me dedicar tanto a essa pesquisa, mas o fato é que ela tem me mobilizado mesmo, com uma ação sincera. Ás vezes me comovo, me vejo compartilhando sentimentos, me abalo...
E hoje trago aqui o resultado da minha leitura do livro Cabeça de Porco, escrito a seis mãos por MV Bill, Celso Athaíde e Luís Eduardo Soares em 2005
Fui lendo sem saber ao certo se conseguiria estabelecer ligações entre minha pesquisa e o conteúdo do livro, e pude ver que sim, muitas e muitas ligações estava postas, não só em relação à minha pesquisa, mas também em relação a tantas realidades que as pessoas insistem em não querer ver

I O Rio como influência da cultura da violência



“Ele usava uma espada muito parecida com aquela que a imprensa mostrou, muitas vezes, como sendo a que matou Tim Lopes – se era mesmo, ninguém sabe. No início, achei que fosse coincidência, mas quando começamos a filmar, percebi que eles usavam as mesmas expressões do Rio de janeiro. Chamavam os inimigos de “alemão”, diziam-se do “Comando Vermelho”; seus inimigos eram nomeados “Terceiro Comando”, e muitas outras gírias totalmente cariocas eram empregadas. Ele reproduziam com precisão o dialeto das favelas cariocas.Era a primeira vez  que tínhamos visto um caso como esse, parecia que os comandos do Rio de janeiro tinham franchaises espalhados por lá.

Ali eu vi claramente o quanto a televisão contribui e contribuiu para a nacionalização da criminalidade; como a televisão massifica e acaba estimulando as pessoas a fazer o que se estampa na tela. Não estou dizendo que aquele cara seja bandido por causa da TV, estou dizendo que a forma como as TVs divulgam as notícias acaba sendo a maior fonte de alimentação para esses jovens, que já têm tendências sociais a essas práticas a partir de seu desejo e de suas limitações. A TV consolida a informação e as posições deles. Pior que isso, as TVs não somente fazem as matérias de forma equivocada – considerando-se o ponto de vista do qual observo a situação, claro-, como também colaboram pra manutenção e ampliação do problema, ao desenvolver campanhas de propaganda que giram em torno da valorização de sexo, status e poder(...)”
(Uma Noite em Joinville, por Celso Athaíde, p.55)


“Com os olhos comecei a procurar aquele que poderia ser o “patrão” do morro. Até que deparei com um maluco branco, alto, meio banhoso, com cara de 18 anos no máximo. Ele tinha em uma das mãos um baseado da grossura de um dedo e do tamanho de uma caneta. Tinha cabelo rasteiro e usava costeleta. Bermuda da Cyclone, meias pretas, tênis Adidas Cooper, camisa cinza com estampa da foto do Mike Tyson. Levava na cintura uma espada dentro de uma bainha(...)”
(Curitiba: nos fundos da cidade modelo, por MV Bill, p.63) 
E a onda da Cyclone começou mesmo nos morros do Rio de janeiro e se espalhou pelo resto do Brasil, talvez reflexo dessa referência que é o Rio de Janeiro como fonte propagadora dessa cultura.

II A invisibilidade

“Um jovem pobre e negro caminhando pelas ruas de uma grande cidade brasileira é um ser socialmente invisível. Como já deve ser bastante claro a esta altura, há muitos modos de ser invisível e várias razões para sê-lo. No caso desse nosso personagem, a invisibilidade decorre principalmente do pré-conceito e indiferença. Uma das formas mais eficientes de tornar alguém invisível é projetar sobre ele ou ela um estigma, um preconceito. Quando o fazemos, anulamos a pessoa e só vemos o reflexo de nossa própria intolerância. Tudo aquilo que distingue a pessoa, tornando-a um indivíduo; tudo o que nela é singular, desaparece. O estigma dissolve a identidade do outro e a substitui pelo retrato estereotipado e a classificação que lhe impomos.
Quem está ali na esquina não é o Pedro, o Roberto, a Maria, com suas respectivas idades e histórias de vida. Quem está ali é o “moleque perigoso” ou a “guria perdida”, cujo comportamento passa a ser previsível. Lança sobre uma pessoa um estigma correspondente a acusá-la simplesmente pelo fado de ela existir. Prever seu comportamento estimula e justifica a adoção de atitudes preventivas. Como aquilo que se prevê é ameaçador, a defesa antecipada será a agressão ou a fuga, também hostil. Quer dizer, o preconceito arma  o medo que dispara a violência, preventivamente
(Invisibilidade, reconhecimento e a fonte afetiva do crime, por Luís Eduardo Soares, p. 175)

III Identidade

“Identidade é uma palavra enigmática: por um lado, significa a originalidade de alguém, a singularidade que torna cada pessoa incomparável e única; por outro lado, adquire o sentido oposto ao designar a semelhança que aproxima duas pessoas (...) ”
"(...) criamo-nos a nós mesmos na interações, seja em conformidade com os outros, seja em contraste com eles.”
“Numa direção ou noutra, a identidade para os jovens é um processo penoso e complicado. As referências positivas escasseiam e se embaralham com as negativas. A construção de si é bem mais difícil que escolher uma roupa, ainda que analogia não seja de todo má, uma vez que o interesse por uma camisa de marca, pelo tênis de marca, corresponde a um esforço para ser diferente e para ser igual, para ser diferente-igual-aos-outros , isto é, daqueles que merecem a admiração das meninas( e da sociedade ou dos segmentos sociais que mais importam aos jovens – o que também varia, é claro). Roupas, posturas e imagens compõem uma linguagem simbólica inseparável de valores."
 “(...) A identidade só existe no espelho e esse espelho é olhar dos outros, é o reconhecimento dos outros. É a generosidade do olhar do outro que nos devolve nossa própria imagem ungida de valor, envolvida pela aura de significação humana, da qual a única prova é o reconhecimento alheio. Nós nada somos e valemos nada se não contarmos com o olhar acolhedor, se não formos vistos, se o olhar do outro não nos recolher e salvar da invisibilidade – invisibilidade que nos anula e que é sinônimo, portanto, de solidão e incomunicabilidade, falta de sentido e valor. Por isso construir uma identidade é necessariamente um processo social, interativo, de que participa uma coletividade e que se dá  no âmbito de uma cultura e no contexto de um determinado momento histórico.”
“Assim como não inventamos uma linguagem, individualmente, assim como não há linguagem privada, tampouco há identidade de um homem-ilha, de uma mulher-ilha, apartada de toda e qualquer ralação humana. Nos jogos de olhares, palavras e sentimentos, trocamos sinais e mais sinais, pelos movimentos do corpo e as expressões do corpo. Estamos imersos em florestas de símbolos, como dizia Baudelaire, e somos seres de linguagem, como a filosofia, a antropologia e a psicanálise nos ensinaram. Toda linguagem é material e datada, é construção humana coletiva, em permanente mudança. Por conseqüência, sendo a identidade uma experiência da relação, que se dá na esfera da intersubjetividade, dos símbolos das linguagens, da cultura, ela é sempre uma experiência histórica e social.”
(Identidade em Obras I: Adolescência, por Luís Eduardo Soares, p. 205 a 207)

IV O Brasil e a realidade da guerra

Curioso e paradoxal é que, no Brasil, para os jovens pobres, não há adolescência: salta-se direto da infância ao mundo do trabalho (ou do desemprego). É mais ou menos o que acontece, em nosso país, com as etapas e o processo civilizatório. Parece que estamos vivendo uma regressão, em alguns aspectos, da qual resulta a convivência entre etapas históricas diferentes, cada uma com suas características sociais e culturais: hoje, no Brasil,  os homens não são treinados apenas para a guerra e os valores dominantes na socialização dos meninos não são valores ligados à guerra. Será? Em certa medida, com a ascensão vertiginosa da violência e do desemprego no quadro de estagnação econômica e aprofundamento das desigualdades, com o ingresso cada vez mais precoce dos jovens na economia informal, será que estamos gestando um híbrido tropical muito peculiar, com mais ingredientes tradicionais da cultura masculina belicista e menos elementos da modernidade ocidental européia em que forjamos, como nação?(...) não estamos combinando no Brasil, traços avançados da democracia participativa com a supressão a galope da adolescência e a revalorização da moralidade guerreira tradicional?
(Identidade em Obras II: Adolescência e a problemática ardilosa das “causas” da violência,  por Luís Eduardo Soares, p. 208 a 211)
Ele estava me pedindo muita coisa: tênis da moda, roupa da moda, essas coisas. Eles pedem, todos eles pedem(...) Hoje em dia, não tem mais bicicleta para o menor, eles querem moto. Se eles entram para o tráfico, eles conseguem a moto. E eles conseguem isso com muita facilidade.
(...) como se olha, vivendo numa comunidade que só tem vagabundo que foi criado com a gente desde pequeno, cresceu, escolheu o outro lado. Como é que a gente vai deixar de falar com essas pessoas? Se eu moro aqui. Não tem como, eles vão ser meus amigos até morrer. Não foram eles que escolheram essa vida. Tenho diferença com eles, mas é uma opção de vida, é um meio de vida. Eles não estão ali porque gostam, porque ninguém gosta de ficar sem dormir, sofrer, correr da polícia. É uma opção de sobrevivência. Todos eles têm família. Se eles pudessem, saíam.
A televisão atrapalha muito, sabia? Mostrando as coisas que acontecem. Meu filho acha bonito aparecer como um cara perigoso pras comunidades, pra polícia.(...)
O que estimula mais ele, não é o dinheiro não, é mais ele poder aparecer. Mostrar quem é, mostrar que pode, entendeu?
É também a pressa de ganhar dinheiro. Hoje em dia, a evolução do mundo está rápida, muito rápida. Os meninos ficam sabendo desses corruptos que roubam milhões do INSS. E nada acontece. Quem vai querer uma vida de trabalho duro e honesto?
A televisão mostra muita coisa errada. A gente vê cada coisa bárbara na televisão. Isso aí serve de exemplo pros pequenos; eles acham que é fácil: os grandões fazem e não dá nada, vou fazer também. Querem ver um meio mais rápido de ganhar dinheiro. Tudo é a facilidade de ganhar dinheiro.
(Labirinto, depoimento de um pai de traficante, p. 212 e 213)
V Um pedido de socorro
(...) Um dia um traficante dá a um desse meninos uma arma. Quando um desses meninos nos parar na esquina, apontando-nos esta arma, estará provocando em cada um de nós um sentimento – o sentimento do medo, que é negativo, mas é um sentimento. Ao fazê-lo, saltará da sombra que desaparecera e se tornará visível. A arma será o passaporte para a visibilidade.
Saltando para fora do escuro em que o guardamos e o esquecemos, o garoto armado readquire densidade antropológica, isto é, vira um homem de verdade. Antes, invisível, era um fantasma transparente, portador de uma carcaça porosa e imperceptível.(...) Pois agora tudo mudou. Num passe de mágica, o mundo ficou de cabeça para baixo: quem passava sem vê-lo lhe obedece. Invertem-se as posições. Quem desfila sua soberba destilando indiferença, agora submete-se à autoridade do jovem desconhecido. Celebra-se um pacto físico: o jovem troca seu futuro, sua alma, seu destino, por um momento de glória, um momento fugaz de glória vã; seu futuro pelo acesso à superfície do planeta, onde se é visível.
Pois é aí que as instituições que dirigem a sociedade metem os pés pelas mãos. Quando seria necessário reforçar a auto-estima dos jovens transgressores no processo de sua recuperação e mudança, as instituições jurídico-políticas os encaminham na direção contrária: punem, humilham e dizem a eles: “Vocês são o lixo da humanidade.” É isso que lhes é dito quando são enviados às instituições “socioeducativas”, que não merecem o nome que têm – o nome mais parece uma ironia(...)

As instituições os condenam à morte simbólica e moral, na medida em que matam seu futuro, eliminando as chances de acolhimento, revalorização, mudança e recomeço. Foi dada a partida no círculo vicioso da violência e da intolerância. O desfecho é previsível; a profecia se cumprirá: reincidência. A carreira do crime é uma parceira entre a disposição de alguém  para transgredir as normas da sociedade e a disposição da sociedade para não permitir que essa pessoa desista(...)
(O menino invisível se arma, por Luís Eduardo Soares, p. 215 a 219)
 VI O assalto da visibilidade
Eu acho que mulher gosta de viver perigosamente; mulher gosta de uma arma; acho que é sentimento de poder.

A mina ta com o cara com o maior fuzilão, ninguém olha, ninguém mexe, ninguém fala nada(...) Nessa, ela cheia de marra, a calça é da Gang e está tipo gostosona, e ninguém se mete com ela, ela está na favela, e todo mundo fumando maconha, aquele fervo. Cheiro de maconha, vagabundo de revólver, vários carros novos chegando – Audi, Honda, Mercedes -, tudo roubado e tudo com vagabundo de fuzil, e elas estão no meio. Elas gostam disso(...)
Tu não imagina, a mulherada chega aqui de Palio zerinho, os pais são da Barra, elas moram na Barra, mas parece que não encontram lá o cara certo, e vem procurar aqui.
(Quer ganhar uma mulher? Bota um fuzil no pescoço, depoimentos de entrevistado, p.224)
O jovem pede a carteira; aponta a arma para minha cabeça e pede  a carteira. Pede, não. Ordena. Velha fórmula: a bolsa ou a vida. Leva o dinheiro. Com a grana compra um tênis de marca. Onde está a fome de sentido de valor? Onde o clamor por reconhecimento? A arma é o passaporte para a visibilidade e instrumento de auto-afirmação ou é só atalho para o cofre?
Lado B: o dinheiro obtido no assalto troca-se pelo tênis de marca, pela camisa de marca. Essa frivolidade é uma pista. A camisa com o nome e sobrenome e o tênis notabilizado pelo pedigree apontam numa direção: a grana vai para a marca, não para o calçado ou para a camisa, não para o atendimento a necessidades físicas(...)No caso, o que está em jogo, é a busca pelo reconhecimento é a busca pelo reconhecimento e valorização, a marca é o que importa; é a marca o objeto cobiçado; é ela que atende a necessidade. O vestuário (na moda) interessa como sinal de distinção, isto é, de valorização. O fetiche na moda, cumpre essa função: quem a consome deseja diferenciar-se  para destacar-se, valorizando-se – mal percebe que copia o movimento de todos, tornando-se , assim, indistinguivelmente banal. De todo modo, mesmo iludindo-se com o ardil da moda, mesmo enganando-se – como aliás, todos os jovens(e os não-tão-jovens) das camadas médias e das elites -, os jovens invisíveis copiam os hábitos dos outros para identificar-se com os outros, passando a valer o que eles valem para a sociedade. Inclusão é o sonho, respeito é a utopia. Aí esta o fio da meada que nos trouxe da grana ao símbolo(...)
Quando o jovem compra o tênis de marca ganha de brinde o ingresso no grupo – no grupo dos que reconhecem a marca e valorizam a moda de que envolve determinadas escolhas estéticas mas também, freqüentemente, algumas escolhas éticas. A moda envolve uma certa coreografia, posturas, comportamentos e uma certa agenda. Se for mais ambiciosa o como foram os movimentos hippie, punk, yuppie – envolverá até uma ideologia ou um conjunto de crenças.(...)
Todos nós nos sentimos reconfortados quando nos filiamos a algum grupo. Participar de um grupo é gratificante porque fortalece o sentimento de que temos valor e a sensação de que aquilo que pensamos e sentimos é compartilhado por outros, o que lhe revigora o valor de verdade e de correção moral. Filósofos já disseram que realidade é ilusão compartilhada. Nem é preciso ser tão radical para compreender a relevância desse apoio mútuo.
 Em geral, somos membros de vários grupos ao mesmo tempo: família, igreja, partido, sindicato, associação de moradores, clube, etc. cada entidade tem suas próprias regras de funcionamento e condições de pertencimento. Os grupos se fortalecem quando enfrentam conflitos externos a rivalidade vivida fora do grupo aproxima os membros(...)Por isso, nada com a guerra para unir(...)
Não parece lógico, portanto, que jovens invisíveis, carentes de tudo que uma participação em um grupo pode oferecer, procurem aderir a grupos cuja identidade se forja na e para a guerra? Entende-se o sucesso das facções do tráfico no recrutamento da gurizada(...)
VII As gata também pira

(...)o julgamento que importa aos meninos em armas é o veredicto das meninas(...)tudo está contido na aprovação delas, que e manifesta na bandeira do desejo e da admiração(...)
Se o desejo das gurias é o desejo dos guris(...), a história entorta quando muitas, entre elas, elegem como modelo o macho violento, arrogante, poderoso e armado(...) instaura-se um magnetismo perverso que enseja a emulação da prepotência armada. As moças, aquelas encantadas pela estetização do mal, atuam como mediadoras da violência, turbinando a adrenalina de seus pares(...)
(...)é preciso que se diga que as gurias estão se tornando mais do que meras mediadoras ou muletas que  sustentam  modelos de identificação para os guris. Elas têm assumido posições de destaque, frequentemente como protagonistas, para o bem e para o mal. Ou seja, têm matado e morrido mais, participando do crime, e têm salvado e morrido mais, participando dos esforços de paz. O que não significa  que, no mundo do crime, elas não continuem sendo oprimidas e humilhadas. O crime parece concentrar o que há de pior na sociedade: a busca do dinheiro a qualquer preço e o machismo mais despudorado e violento.
(Guris e gurias mostram suas armas, por Luís Eduardo Soares, p. 226 a 232)
 VIII Brasil que banaliza
(...) Já aludi ao fato de que assalto à mão armada seria inconcebível em outras sociedades e culturas. A sociedade brasileira banaliza o delito e se aprimora na arte de desmoralizar alguns limites que nossa própria tradição cultural reverencia, pulverizando referências, diluindo critérios, relativizando responsabilidades e sedando o espírito crítico. O dilentismo blasé com que muitas vezes lhe damos com as questões éticas consagrou uma bizarra combinação entre paternalismo e rigor punitivo.
O fato é que no Brasil, a violação dos direitos trivializou-se, a agressão é quase um capricho, a violência compara-se à frivolidades, o homicídio rotinizou-se(...) Nas vilas e favelas, a rapaziada do movimento associa armas e violência à virilidade, masculinidade e virtude pessoal(...) 
(A cultura da paz, por Luís Eduardo Soares, p. 239 e 240)
IX Lei e vítima
Para a população, crimes não são transgressões da lei pena, são violações culpáveis da lei moral(...) Como não há consenso na sociedade quanto à lei moral, a lei penal  deve ser respeitada como acordo prático possível(...)

(...) A vítima letal brasileira típica é jovem, do sexo masculino, te entre 15 e 14 anos(...) mora nas vilas, favelas ou periferias das metrópoles e, frequentemente é negra(...)
Há um déficit de jovens, entre 15 e 24 anos, na sociedade brasileira – fenômeno que só se verifica nas estruturas demográficas de sociedades que estão em guerra. Portanto, o Brasil vive as conseqüência de uma guerra inexistente e, mais que em qualquer outro, determinado setor social está pagando com a vida o preço dessa tragédia(...)
(O sentidos da violência, a criminalidade no Brasil e no Rio de Janeiro, por Luís Eduardo Soares, p. 246 a 249)


X A polícia
Os polícias? Olha, eu vejo aqui, eu sou bandido, mas se você for avaliar um polícia, você vai ter mais inquérito que qualquer marginal, porque cada mês ele mata um, todo dia ele rouba um. O salário de um policial não dá pra ele ter um Honda. Vai no posto. Dá uma olhada quanto Honda está parado lá. O que eu acho, cara, é que o sistema está podre, o sistema está todo podre,  os policiais, os deputados, os políticos. Então, eu acredito que se os políticos fossem mais cobrados não existiria essa pouca-vergonha toda aí. O político rouba, não vai preso; o polícia rouba; o polícia bota bagulho no seu bolso para te prejudicar...
(Os Polícias, depoimento de entrevistado, p.259)

XI Tristeza

(2) Celso mencionou a depressão desoladora que derruba os espíritos, nos bairros mais pobres das periferias e favelas. Canta-se em prosa e verso o Brasil zombeteiro, alegre e festeiro, que abre espaços para a felicidade, em meio até à miséria, com o futebol e o samba no pé. Nem tudo é fantasia e folclore, nessa mitologia de hedonismo tupiniquim, mas o momento exige um pouco mais de cuidado nas generalizações. As palavras de Celso, repito, são muito graves: a depressão campeia nas favelas. Estamos falando em de-pres-são. É forte o termo, e dolorosa a realidade. Cada um de nós sabe o que significa. O abatimento psíquico contamina o corpo, inibe iniciativas, arruína esperanças, reforça o medo, interpõe retraimento. Chega de folclore. Vamos reconhecer e tratar essa dor. Ela é conseqüência, mas também causa da violência. Aliás, como vimos, as conseqüências em geral se tornam causas e realimentam o círculo vicioso destrutivo e autodestrutivo. As próprias drogas; como pensá-las sem mencionar o sofrimento psíquico que produzem e de que se alimentam?


XII Como lutar nesta guerra?
Se nosso propósito é reduzir a capacidade de recrutamento do tráfico, melhor e mais realista do que tentar destruí-lo é dispor-se a competir com ele. O tráfico é um pólo de atração (...) Se o tráfico recruta, seduz, atrai, é porque oferece benefícios. Quais? Os benefícios são as evidentes vantagens materiais, como dinheiro e acesso ao consumo, e são também os bens simbólicos e afetivos, como a sensação de  importância e poder, o status , o sentimento de pertencimento a um grupo dotado se identidade – tudo isso significa valorização pessoal, reforço da auto-estima. Um bem simbólico especialmente prezado é a masculinidade, aquele tipo quase mágico de virilidade que se materializa como um diferente poder de sedução das meninas da comunidade e até dos bairros afluentes da cidade.
Às vezes qualquer emprego resolve; em geral, não é bem assim que acontece. Com freqüência, ouvi da rapaziada que não vale a pena repetir a trajetória de fracassos de sues pais. Eles não querem ser apenas pintores de nossas paredes, mecânicos de nossos carros, engraxates de nossos sapatos. Eles querem o que nossos filhos querem: internet, música, arte, dança, esporte, cinema, mídia, tecnologia de última geração, criatividade(...)
Quando (...)proporcionam aos jovens das periferias e favelas acesso à criação cultural e à expressão artística, na prática, lhes oferecem  um campo em que podem exercitar a própria subjetividade e expressividade, mostrando-se, inventando-se como pessoas,  ante olhares atentos e respeitosos de audiência, que os valorizam pela mera atenção que prestam. Tudo isso é simplificado se uma câmera acende sua luzinha, anunciando que, atrás de si, está presente um auditório virtual ilimitado(...) A luzinha representa atenção em si mesma. Esta atenção valoriza quem se sente ninguém, que se sente invisível. Ela ilumina a alma e alimenta um saudável narcisismo, que nada tem a ver com fetiches das celebridades de um mercado inatingível. Fica faltando o afeto? É verdade. Mas a atenção é uma forma tosca de afeto. Um primeiro passo.
(Rasga coração, por Luís Eduardo Soares, p. 281 a 286)

sábado, 23 de julho de 2011

Mais uma se despedindo de nós


Poxa! Juro que não queria falar seguidamente de morte
Mas hoje mais uma mulher(zaça) morreu
ou sei lá se foi hoje, ou ontem
e vou dizer de novo que estou passada a ferro!
ainda não me destraumatizei da morte da kelly Cyclone e venho preparando um post de análise sobre isso
quando de repente as antenas do facebook me informam que Amy Winehouse não vive mais junto a nós
Uma das poucas músicas que se destacavam na nossa vazia contemporaneidade
Vai bem Amy! Encontre todos os meus ídolos que estão lá!
Ah! Quero pedir encarecidamente que as gata se cuidem que não quero noticiar mais a morte de nenhuma!!!
Eu vou fazer a minha parte pra ir só daqui alguns anos

segunda-feira, 18 de julho de 2011

Kely Cyclone morreu


Amanheço hoje com uma notícia que me deixou triste
A kelly Cyclone morreu nessa madrugada do dia 18.
Uma morte cruel, diga-se de passagem
A moça causava diferentes tipos de sentimentos nos diferentes tipos de pessoas
O fato pode ter ocorrido por diversos motivos
Kelly também era acusada de algumas mortes
Talvez tivesse vários inimigos, assim com tinha milhares de fãs
Mas o que me deixa curiosa é o sentimento de ódio que algumas pessoas cultivavam por ela
E é o que me faz pensar que ela foi morta por uma dessas pessoas
sabe-se lá, não quero me meter nisso
Mas é que venho pesquisando a moça há alguns meses
E conhecendo-a, vendo-a, acabei também criando uma afetividade, admiração, sei lá
Era uma moça forte, a imagem, a personalidade
Louca, sim, vida louca.
Mas quantos vida loka chegaram ao alcance dela?
A gata saíu do raio da Bahía e foi longe
Então, espero que fiquem bem todos que agora sentem sua falta
Ela tinha um filhinho, gente!
Que o filho dela cresça na paz
Então, era só meu luto mesmo que gostaria de registrar nessa manhã de segunda feira

Gostaria também de contatos com pessoas que curtam Cyclone em Fortaleza pra contribuir com minha pesquisa.

sábado, 30 de abril de 2011

Jonny Doll voando longe

Abandono de blog
Passei um tempão sem internet
Mudança de casa, essas coisas...
Hoje vou pedir desculpa também porque o que trago não é a coisa mais atual do mundo, mas é algo que eu não poderia deixar de trazer
E por essa falta de internet na minha vida, só agora eu pude ver:
O vídeo do Jonnata Doll em sua viagem pra São Paulo tocando com Cidadão Instigado, Dado Villa-Lobos e Seu Jorge.
Só pra quem pode! Sempre soube que o garoto ia longe!
Parabéns Jonny Jonny!
Se formou ontem - sociólogo, hein?

Aqui com Seu Jorge, Dado e Cidadão
Tocando, quem diria: Legião Urbana
E tem uma música dele que diz assim: "...a guitarra não me trouxe grana. Só pra quem toca legião Urbana"
A vida dá voltas meu bem!

E aí com a sua favorita "Minha Namorada Fantasma"

sexta-feira, 1 de abril de 2011

1 Ano de Blog

Olá pessoas
Quero primeiro pedir desculpas pelo abandono do blog
Ele se deve às bagunças da minha vida: mudança de casa - primeiro meu PC quebrou na mudança, agora já tá tudo bem com ele, mas ainda estou sem internet - aí fica bem difícil, nas poucas vezes que venho à inetrnet mal dá etmpo olhar meus e-mails.
Vim aqui porque estamos em Abril, primeiro e Abril - Dia da mentira
Mas o que vou contar não é mentira e pode ser verificado - Eu Sei eu vi e Tal (ai que nome grande!) está fazendo um ano e hoje vim aqui pra citar as postagens que mais gotei, as mais vistadas, as mais polêmicas que fizeram parte dessa pequena história desse blog.

As Postagens que mais gostei:
Ensaio com Jonnata Doll

Postada em 18 de Junho de 2011, qaundo eu estava empolgada com fotografias e fiz um ensaio despretensioso com Jonnata e que o resultado foi esse aí - eu curti

Rodrigo Braga e a estupidez Humana

Não é muito agradável de se ver, mas fala dos absurdos que esse cara aí anda fazendo e o mundo da arte anda amando

Tom Zé

Ah, com certeza minha postagem preferida! Amo muito este homem, efervecência criativa
Já esteve entre os mais vistos, mas como foi em junho do ano passado não está mais, e não poderia deixar de estar entre as minhas preferidas.Tava inspirada no dia

Figurino de Melina em Passione

também já esteve muito entre as mais vistas. Gostava muito do figurino dela, e essa postagem foi feita mais ou menos depois da segunda aparição dela na novela, qaundo os olhos do público ainda não se voltavam muita para a personagem e seu figurino

A praça é nossa

Esse dia foi massa, o encerramento da Semana de Arte Urbana do Benfica
Abajur Lilás

Nessa também eu estava bem inspirada
Fala das sensações de assistir a essa incrível peça

Os Haxixins

Descoberta de uma banda bacana

As Cariocas
 Sobre o primeiro episódio da minissérie As Cariocas, que na verdade foi o único que realmente empolgou, com a bela Aline Moraes

Cinema com Comida
Uma das melhores do blog, reúne duas paixões minhas - cinema e gastronomia e filmes que arrasam na homenagem ao assunto. Na ocasião, ainda não havia assistido a animação ratatouile. Hoje posso dizer que é uma maravilha!

Peças do Teatro Oficina
Sobre a experiência vivenciada como expectadora e participante da oficina do zè Celso no Theatro José de Alencar

Dzi Croquettes
Quem não conhece precisa conhecer!

Zé Celso em fortaleza
Aí a minha empolgação quando soube que o Zé celso estava aqui


As Postagens mais vistas 

Cyclone

A postagem mais sucesso do blog, todos os dias quase 600 pessoas ainda vêm dar uma conferida, foi feita em Setembro de 2010.
Ao todo mais de 12000 visualizações.
Apesar da polêmica gerada em torno (vejam os comentários)
Eu AMEI falar sobre o assunto (aguardem minha mono!)
E quero dizer que AMO cada comentário que os usuários deixam como contribuição
Podem vir mais e mais
E o lucas não tá com nada!

Bolsas de Tecido

Reunião de algumas bolsas bacanas para inspirar a mim e a quem quiser


Outra reunião de lancheiras bacanas, resultado de minha observação das lancheiras atuais em comparação às lancjeiras que usava na minha época de estudante

Cubismo

Estudando pra prova de História da Arte Contemporânea

Painél Psicodelia Brasil
Resultado de uma pesquisa pra um trabalho de criação


Entre outras mais visualizadas estão algumas que já citei como minhas preferidas: Figurino de Melina em Passione,  Rodrigo Braga e a estupidez Humana....

Enfim, foi muito bom derramar idéia, sensações, percepções e emoçoes com todos vocês durante esse um anos de Eu sei eu vi e tal
Espero continuar esse segundo ano com gosto de gás, diferente desses últimos dias que não tenho publicado nada pela razão já citada.

Ah, abril, como alguns já sabem, é mês de Dragão fashion, a nossa semana de moda Tupiniquim
E dess vez não como expectadora, vou trabalhar no backstage. Mas isso já é assunto para uma nova postagem.
Até!

segunda-feira, 17 de janeiro de 2011

Carta de Zé Celso a Cid Gomes

Essa é maravilhosa e explica tudo

"Ió! Governador Brilhantemente Reeleito do Ceará
Cid Gomes
Desde seu 1º GOVERNO, em 2009, em que se iniciaram, dia 1º de junho, as COMEMORAÇÕES DO 1º CENTENÁRIO DO THEATRO JOSÉ DEALENCAR, o Teatro Oficina Uzyna Uzona, de SamPã, foi convidado pelo então Secretário da Cultura e principalmente pelas sacerdotizas zeladoras desta OBRA DE ARTE DE CEM ANOS: Isabel Gurgel, e SiLêda a participar destas COMEMORAÇÕES com as AS “DIONIZÍACAS”.
“AS DIONIZÍACAS” são quatro peças, que foram o ano passado apresentadas de GRAÇA ao Público de 8 capitais brasileiras sobPATROCÍNIO DO MINC, em 8 diferentes ANFITEATROS DE ESTÁDIOS, por nós contruídos, para 2.000 pessoas, em bairros populares, pra onde corriam as elites culturais das cidades.
Mas não vamos fazer assim aqui em Fortaleza. Vamos realizá-las noTHEATRO JOSÉ DE ALENCAR, comemorando seus 100 anos, fazendo da própria Arquitetura do Teatro, o Cenário das peças, considerando oTHEATRO JOSÉ DE ALENCAR como OBRA DE ARTE.
Temos na nossa Associação Teatro Oficina Uzyna Uzona duas linhas de trabalho:
1ª – em Anfiteatros de Estádio 2ª – em Obras de Arte
O Teatro Oficina, como o Theatro José de Alencar, é tombado também pelo IPHAN, e é tambem uma Obra de Arte criada por um dos maiores “arquitetos” do século XX: Lina Bo Bardi. Ela fazia questão que a qualificassem como “arquiteto”. Lá o próprio espaço é tomado como Cenário de nossas peças.
Iniciamos AS DIONIZÍACAS em nosso Espaço Obra de Arte e depois adaptamos AS DIONIZÍACAS para 8 Pontos Urbanísticos Populares, em cada capital, dentro da linha em que buscamos as MULTIDÕES, num retorno ao momento mais poderoso da Arte-Feitiçaria do Teatro: o doTEATRO para TODA A CIDADE: “O ANFITEATRO DA TRAGÉDIA GREGA” com as peças-ritos, que chamamos nossas ÓPERAS DE CARNAVAL DA TRAGYCOMÉDIORGYA.
Estas peças serão RECRIADAS ESPECIALMENTE para o José de Alencar:
1 – “TANIKO”, um NÔ BOSSA NOVA TRANS ZEN IKOantropofagiando o Antigo Teatro Budista Japonês: o NÔ comido pela YOGA REQUEBRADA DA BOSSA NOVA DE SÃO JOÃOGILBERTO, iniciando a viagem das DIONIZÍACAS docemente, com esta peça para crianças de todas as idades.
2 – “ESTRELA BRAZYLEIRA A VAGAR – CACILDA!! – 2ª peça daTEATRALOGIA CACILDA!, CACILDA!!, CACILDA!!! (TBC),CACILDA!!!! (TCB). Esta segunda peça das DIONIZÍACAS revive Cacilda Becker dos 20 aos 28 anos, iniciando sua carreira de Atriz Matriz do Teatro Brasileiro Contemporâneo, no Rio de Janeiro, ainda Capital do Brasil, nos férteis anos 40.
Nestes tempos em plena 2ª Guerra mundial formou-se a geração da Cultura que iria construir o BRASIL poderoso dos dias de hoje: Oscar Niemeyer, Villa Lobos, Cacilda Becker, Sérgio Cardoso, Grande Othelo, Darcy Ribeiro, Oswald e Mário de Andrade, Maria della Costa, Jardel Filho, Portinari, Bidu Sayão, Jorge Amado, Dorival Caymmi, e muitos outros criadores. Surgiram instituições como a RÁDIO NACIONAL, puxada por Emilinha Borba e Marlene, quando deu-se aMODERNIZAÇÃO DO TEATRO BRASILEIRO ainda em 1943 com Nelson Rodrigues encenado por Ziembinski em sua peça, “OVESTIDO DE NOIVA”, e Oswald de Andrade lançando seu “MANIFESTO DE TEATRO DE ESTÁDIO”.
Época em que se viveu a ALEGRIA DO FIM DA GUERRA, a instauração da DEMOCRACIA no BRASIL e o surgimento da famosa empresa cinematográfica ATLÂNTIDA, onde Cacilda Becker atuou como a 1ª TRÁGICA da empresa no filme com Grande Othelo “LUZ DOS MEUS OLHOS”.
3 – “BACANTES” – Origem do Rito Teatral de DIONÍSIOS, o deus do TEATRO, nossa 1ª ÓPERA DE CARNAVAL, em cartaz desde 1996. Nosso maior sucesso popular por replantarmosDIONÍSIOS, trazendo o Óbvio de que o TEATRO É TAMBÉM FILHO DE ZEUS, (porque não dizer aqui no Brasil, de DEUS) e não uma atividade descartável, enclausurada nos caros Palcos Italianos dos Shoppings , guetados por um Público consumidor dos ídolos de Novelas, que perdeu o ELO DA ARTE AO VIVO DO TEATRO COMO SEU PODER MÁGICO SAGRADO.
4 – “O BANQUETE”, de PLATÃO E SÓCRATES, numa INVERSÃO EM VERSOS, MÚSICA, COM A SABEDORIA DA INSÂNIA DO “AMORCORPO-ALMA”, SERVIDA COM VINHO NUMA GRANDE MESA PISTA CERCADA DE COLCHÕES E ALMOFADAS. O Mito do amor sem a sexualidade que os monges da Idade Média transmitiram na tradução traidora do famoso “Symposium” de Platão como “Amor Platônico” somente espiritual, aqui, agora, é desmistificado e revelado como “AMOR ALMA E CARNE.”
Na Agenda do Theatro José de Alencar temos datas de 16 a 26 de Janeiro desde o ano passado. Chegaremos nós, os 60 atuadores do Oficina Uzyna Uzona dia 16, no próximo domingo e recriaremos especialmente para este espaço do José de Alencar, tratado como OBRA DE ARTE, a partir de nossa chegada, as “DIONIZÍACAS”.
Essas peças-ritos DIONIZÍACAS queremos fazer diferentemente noTHEATRO JOSÉ DE ALENCAR:
- como fizemos por exemplo na PAMPULHA, “O BANQUETE”, no antigoCASSINO, hoje MUSEU, às 15h, deixando o SOL e o JARDIM de BURLE MARX VAZAR ALÉM DOS VIDROS DE NIEMEYER.
- como em INHOTIM, O GRANDE MUSEU AO AR LIVRE NAS MONTANHAS DE MINAS, NO LUXO DA FLORESTA TROPICAL , onde encenamos o “MANIFESTO ANTROPÓFAGO” de Oswald de Andrade na OBRA “MAGICSQUARE”, de Hélio Oiticica, contracenando com o SOL das 15h até sua desaparição no horizonte.
- como na BIENAL de SAMPÃ, onde fizemos uma INVERSÃO DO “BAILADO DO DEUS MORTO”, de Flávio de Carvalho, que batizamos de “EXPERIÊNCIA Nº 6”, no HIMALAYA de OSCAR NIEMEYER, ainda a coisa mais bela da Bienal do ano de 2010.
Pois então, vamos montar as DIONIZÍACAS PARA EXALTAR O TEATRO JOSÉ DE ALENCAR .
Parte do PÚBLICO se acomodará em arquibancadas no PALCO, parte naPLATEIA E CAMAROTES, onde o CICLORAMA, através das câmeras de filmagem e dos VÍDEOS, criarão um ANEL MÁGICO VIRTUAL E ATUAL,CIRCULAR , com a PLATÉIA, AS FRISAS CAMAROTES,o ARCO ART NOUVEAU Q MARAVILHA O ESPAÇO e o TETO. As duas partes , a dos sentados nas Arquibancadas e aos na Platéia e Frisas, confrontar-se haõ .
As CORTINAS VERMELHAS ENTRAM A EM CENA COMO PERSONAGENS e nós os ATUADORES, ATUAREMOS por todo espaço, com o PUBLICO ATOR PRESENTE E VISIVEL, EMOLDURADO NA ARQUITETURA NOBRE DO THEATRO.
CENAS DE CINEMA AO VIVO ,VÃO ACONTECER NAS ARVORES BURLE MARXIANAS MAXIMAS DO JARDIM.E tudo que nossa Imaginação criadora, excitada na presença deste TERRITÓRIO CÊNICO VAI CRIAR PARA SER ELE ,O JOSÉ DE ALENCAR DE IRACEMA E DO GUARANI A GRANDE ESTRELA DESTAS DIONIZÍACAS.
Na madrugada de 4ª feira fui acordado pelo TROVÃO que abria o ano deIANSÃ e sua FALANGE DE ORIXÁS FÊMEAS. Esse foi NOSSO REVEILLON, NOSSO ACORDAR PARA O ANO NOVO. Acordamos e fomos: RODERICK HIMEROS o ator mais recentemente chegado ao OFICINA UZYNA UZONAe eu, para o THEATRO JOSÉ DE ALENCAR, em COMPANHIA DAS GUARDIÃS DESSE LOCAL SAGRADO: ISABEL GURGEL, SILÊDA, e o jovem Artista de Teatro cearense, THIAGO ARRAES. Namoramos muito o local do crime.
No fim daquela tarde encontramo-nos com SECRETÁRIO DA CULTURA PROFESSOR PINHEIRO que recebeu muito serenamente nosso entusiasmo, tendo nas mãos o PROCESSO que já conhecia e imediatamente nos disse que passaria para as mãos de V. EXCIA GOVERNADOR CID GOMES, afirmando que no dia seguinte, o de Reis, dia 6 de janeiro, nos daria a resposta da possibilidade praticamente certa de realizarmos este grande ACONTECIMENTO CULTURAL nas datas previstas.
Expusemos ao Professor que terminamos nossas atividades em SAMPÃ gloriosamente ocupando o EX-ESTACIONAMENTO DO BAÚ DAFELICIDADE que SILVIO SANTOS depois de 30 anos de Guerra, decidiu nos emprestar.
O TEATRO OFICINA FOI TOMBADO PELO IPHAN como PATRIMÔNIOARTÍSTICO E CULTURAL DO BRASIL e a parecerista JUREMA MACHADO, CONSELHEIRA DO IPHAN E DA UNESCO, recomendou que o entorno doTEATRO SEJA COMPRADO OU DESAPROPRIADO PELO MINC para que aASSOCIAÇÃO TEATRO OFICINA UZYNA UZONA POSSA COMPLEMENTAR O PROJETO “DO ARQUITETO” LINA BO BARDI, FAZENDO DO TEATRO OFICINA, UMA RUA DE PASSAGEM PARA UM “TEATRO DE ESTÁDIO”,UMA “UNIVERSIDADE POPULAR ANTROPÓFAGA”, UMA ÁREA VERDE: uma “OFICINA DE FLORESTAS” QUE CONTAGIE E REVITALIZE O BAIRRO DO BIXIGA CENTRO PERIFÉRICO POPULAR COSMOPOLITA E BOÊMIO DE SAMPÃ.
Os 60 ARTISTAS E TÉCNICOS QUE FAZEM AS DIONIZÍACAS ESTÃO emSEMI-FÉRIAS, desejando fazer as “DIONIZÍACAS” na PAUTA MARCADA NO THEATRO JOSÉ DE ALENCAR.
Até o final da semana que passou não obtivemos resposta, o que compreendemos dado aos trabalhos de implantação de seu NOVO GOVERNO.
Mas precisamos de uma decisão no início desta semana, pois osARTISTAS DO OFICINA UZINA UZONA também entram num NOVO GOVERNO neste ano 1 da 2ª década do 3º MIlênio.
Vamos neste 2011 construir com todo o BRASIL uma NOVA INFRA para que possamos juntamente com a INFRA DO BRASIL CONSTRUIR OS ESTÁDIOS DA COPA, DAS OLIMPÍADAS e criar uma nova INFRA PARA A CULTURA, O TEATRO BRASILEIRO E MUNDIAL FAZENDO SURGIR A EPIFANIA DO 1º ANFITEATRO DE ESTÁDIO DE NOSSO TEMPO.
Vamos ter férias depois de um ano de trabalho transhumano e logo depois iniciar NOVAS PEÇAS-RITOS e principalmente a OBRA DE ERGUER NOSSA OCA, este 1º ANFITEATRO DE ESTÁDIO DE NOSSO TEMPO.
NESTE MOMENTO, ESTAMOS PRONTOS, COM AS DIONIZÍACASENGATILHADAS PARA QUE SE REALIZEM NESTES 1ºs DIAS DE SEU GOVERNO.
ATRAVÉS DESTA CARTA ABERTA, ESTAMOS QUERENDO MUNICIAR SUA AÇÃO COM O APOIO DE TODO POVO DO CEARÁ, DO BRASIL E DO MUNDO PARA Q NESTE TEMPO MÍNIMO, ESTE MILAGRE POSSA ACONTECER COMO PREVISTO.
NÓS MESMOS DA ASSOCIAÇÃO TEATRO OFICINA UZYNA UZONA, COMPRAREMOS AS PASSAGENS E SEREMOS REEMBOLSADOS E PAGOS DEPOIS DE REALIZARMOS NOSSO TRABALHO AQUI NO THEATRO JOSÉ DE ALENCAR.
PORTANTO HÁ TEMPO DE MANEJAR-SE O DINHEIRO VIVO DO ORÇAMENTO.
ACREDITO QUE SOMENTE OS MILAGRES OPERADOS ATRAVÉS DE ATITUDES AUDACIOSAS COMO AS Q TEM MARCADO SEU 1º GOVERNOREALIZAM AS TRANSFORMAÇÕES QUE O BRASIL NESTE MOMENTO ESTÁ PRONTO PARA VIVER.
A CULTURA NÃO É MAIS SUPER ESTRUTURA COMO MARX DEFINIU EM SEU LIVRO: “O CAPITAL”. A INTERNET EXPLODIU AS VELHAS RELAÇÕESTABUS DO CAPITALISMO SELVAGEM E PREPARA O TERRENO PARA UMA SOCIEDADE ONDE O CAPITAL SEJA O DO DINHEIRO COMO UM BEM PÚBLICO. E A JUSTIÇA MAIS FORTE QUE AS VELHAS LEIS.
A DEMOCRACIA NO GOVERNO DILMA ANUNCIA A VIDA COMO INFRA-ESTRUTURA. ANUNCIA UM CAPITALISMO DEMOCRÁTICO EM QUE A“MACROECONOMY” SERÁ A SUPER ESTRUTURA, CRIADA EM FUNÇÃODO MEIO AMBIENTE PRESERVADO, AMPLIADO EM SUA RIQUEZA E DE UM CUIDADO DA VIDA QUE É ACIMA DE TUDO O SIGNIFICADO REAL DA PALAVRA CULTURA = CULTIVO, AGRICULTURA TAMBÉM DA ESPÉCIEHUMANA, QUASE EM EXTINÇÃO, ESCRAVIZADA À MAQUINA SEM DESEJO DA ESPECULAÇÃO FINANCEIRA.
CABE À CULTURA ESTOURAR OS TABÚS DAS VELHAS RELAÇÕESJUNTAMENTE COM A REVOLUÇÃO DIGITAL E GENÉTICA.
Estamos aqui agora, nestes dias, às portas de um MUNDO NOVO, para criá-lo.
Em nome “disto” peço que sintonize conosco, ARTISTAS DE TEATRO, CIRCO, DANÇA, CYBER TECNIZADOS, que somos responsáveis pelasARTES CÊNICAS, AS ARTES VIVAS AO VIVO E QUE TEMOS POR PROFISSÃO ANTENAR NOSSO CORPO COM O MUNDO QUE AÍ ESTÁOFERECENDO POSSIBILIDADES NUNCA SEQUER SONHADAS .
Como diz Cacilda Becker em “ESTRELA BRAZYLEIRA A VAGAR –CACILDA!!” : “UM DIA O MUNDO VOLTARÁ A COMPREENDER O VALOR INCOMENSURÁVEL DO TEATRO
ESTE DIA CHEGOU.
A ARTE VIVA DO TEATRO É A DO PODER DA ESPÉCIE HUMANA DE TRANSUMANIZAR-SE, MUDAR A SI MESMO E ÀS ESTRUTURAS QUE AINDA AGRILHOAM NOSSO CRESCIMENTO.
CONTO COM SUA ESPERTA PERCEPÇÃO.
O drama acabou.
Assim começa a TRAGICOMEDIORGYA
José Celso Martinez Corrêa
diretor há 52 anos do Teatro Oficina Uzyna Uzona
EVOÉROS"

Mais informações :
teatrooficina.uol.com.br
(carta reirada de lá)

domingo, 16 de janeiro de 2011

Zé Celso em Fortaleza

Foto de José Celso Martinez
Sabe que nem imaginava que esse dia iria chegar?
Mas está chegando, e eu aqui aguardando ansiosamente
José Celso Martinez, criador do Teatro Oficina de São Paulo, aonde apresentou uma nova forma de fazer teatro, totalmente ousada e com ares de orgiásticos,  o diretor de obras-primas do teatro brasileiro como Os Sertões, Cacilda, Roda Viva, Pequenos Burgueses...são espetáculos que chegam a seis horas de duração aonde o público interage com o espetáculo e o espetáculo necessita do público. Quebra com a estrutura tradicional de palco e platéia. Quando não se apresenta no teatro oficina, o grupo costuma utilizar espaços públicos e anfiteatos. Mas considerando o centenário do Teatro José de Alencar e vendo sua estrutura como obra de arte, Zé Celso resolveu utilizar a estrutura do TJA, fazendo assim algumas modificações no espetáculo
Aqule teatro vai virar de cabeça pra baixo porque no palco provavelmente ficará parte do público, enquanto que a peça segue por entre as cadeiras, corredores, jardins...Imperdível. Separe seis horas do deu dia para ver José Celso.
Mas o melhor eu ainda nem contei:
Nós aqui podemos participar. O teatro, em comemoração de seus 100 anos (ainda) trouxe os espetáculo e mais três oficinas feitas por Celso
Isso mesmo! Vou conhecer o cara. Nem sei, to aniosa...sério...esperando o ia chegar
As oficinas são : Atuação/Direção/Música(80 vagas), Figurino(40 vagas, uma delas minha, claro) e Direção de Cena(40 vagas). A primeira oficina começa amanhã e ainda tem vaga para todas elas. É só correr até o anexo do Teatro, que fica ao lado da entrada principal e fazer a inscrição, que é por número de vagas. O pouco que vi sobre o curso de figurino, diz que os prticipantes precisam ter habilidades manuais, ou seja: vamos pôr a mão na massa! E provavelmente os participantes do curso ajudarão na montagem das peças que serão apresentadas no teatro a partir do dia 26, que é uma série de quatro espetáculos (se não me engano) que compõem a saga "Dionisíacas".
Emoções a mil, é sério, não queria morrer sem ver uma peça do cara e agora ele tá aqui pra me ensinar!

Imagem de As Dionisíacas encenada em Salvador
E aqui nosso lindo e centenário Teatro, demonstando o porque titio Zé vai abrir uma exceção. Aliás, para estar aqui, ele comprou 60 passagens antecipadas esperando o reembolso do titio Cid Gomes, que tá embromando pra apoiar esse projeto. Prefere construir prisões pra peixes...

sábado, 18 de dezembro de 2010

Cyclone II (Ensaio)

Posto aqui o ensaio que escrevi em conjunto sobre a Cyclone



Bandidismo Por uma Questão de Classe
Chico Science & Nação Zumbi

Há um tempo atrás se falava de bandidos
Há um tempo atrás se falava em solução
Há um tempo atrás se falava em progresso
Há um tempo atrás que eu via televisão

Galeguinho do Coque não tinha medo, não tinha
Não tinha medo da perna cabiluda
Biu do olho verde fazia sexo, fazia
Fazia sexo com seu alicate
Galeguinho do Coque não tinha medo, não tinha
Não tinha medo da perna cabiluda
Biu do olho verde fazia sexo, fazia
Fazia sexo com seu alicate

Oi sobe morro, ladeira, córrego, beco, favela
A polícia atrás deles e eles no rabo dela
Acontece hoje e acontecia no sertão
Quando um bando de macaco perseguia Lampião
E o que ele falava outros hoje ainda falam
"Eu carrego comigo: coragem, dinheiro e bala"

Em cada morro uma história diferente
Que a polícia mata gente inocente
E quem era inocente hoje já virou bandido
Pra poder comer um pedaço de pão todo fudido

Galeguinho do Coque não tinha medo, não tinha
Não tinha medo da perna cabiluda
Biu do olho verde fazia sexo, fazia
Fazia sexo com seu alicate
Galeguinho do Coque não tinha medo, não tinha
Não tinha medo da perna cabiluda
Biu do olho verde fazia sexo, fazia
Fazia sexo com seu alicate

Oi sobe morro, ladeira, córrego, beco, favela
A polícia atrás deles e eles no rabo dela
Acontece hoje e acontecia no sertão
Quando um bando de macaco perseguia Lampião
E o que ele falava outros hoje ainda falam
"Eu carrego comigo: coragem, dinheiro e bala"

Em cada morro uma história diferente
Que a polícia mata gente inocente
E quem era inocente hoje já virou bandido
Pra poder comer um pedaço de pão todo fudido

Banditismo por pura maldade
Banditismo por necessidade
Banditismo por pura maldade
Banditismo por necessidade

Banditismo por uma questão de classe!
Banditismo por uma questão de classe
Banditismo por uma questão de classe!
Banditismo por uma questão de classe!


UNIVERSIDADE FEDERAL DO CEARÁ- UFC
INSTITUTO DE CULTURA E ARTE – ICA
CURSO DE ESTILISMO E MODA







LAURA NEFITALI
MEIRIANE NASCIMENTO
SÁLVIA BRAGA PINHEIRO




CYCLONE – A MARCA COMO DEMONSTRAÇÃO DE PODER E SIMBOLISMO NAS PERIFERIAS DO BRASIL













 FORTALEZA, 29 DE NOVEMBRO DE 2010










CYCLONE – A Marca como Demonstração de Poder e Simbolismo nas Periferias do Brasil.




Introdução

A desigualdade social é um dos aspectos mais visíveis por todo o vasto território brasileiro. Existe uma minoria que concentra uma grande parte da renda, enquanto que a maioria vive em situação de dificuldades financeiras ou mesmo de miséria.
Como diz a letra de uma música do Lobão intitulada Revanche, “A favela é a nova senzala”, lugar onde mão-de-obra do sistema capitalista dorme, depois de cumprir uma longa jornada de trabalho.
Nas teorias do sociólogo Pierre Bourdieu, encontramos conceitos como o da Violência Simbólica, que é exercido diariamente nessa guerra aparentemente imperceptível, a guerra das classes sociais, cujas minoria dominante subjuga a maioria dominada.
Toda essa violência simbólica causa diversas reações nas classes oprimidas, a mais comum é o desejo de alcançar certo status através da posse de objetos ostentatórios. O principal e mais primordial é a roupa. Vê-se um movimento muito grande das massas em busca de consumir cada vez mais. O poder de consumo tem proporcionado a essas massas um gosto de alcance, de vitória.
Mas não é somente desejo, o resultado de toda essa violência.  Sabe-se que as condições de trabalho oferecidas à massa de trabalhadores não é das melhores, e não tem mudado muito daqueles tempos do engenho para agora. Para as mulheres, continuam os trabalhos de cuidar de casa, já que a “patroa” não está acostumada com esse tipo de serviço. Para os homens, construção civil, carregar peso ou fazer os mesmos movimentos repetitivos em uma fábrica com condições desumanas. E o salário é inversamente proporcional à quantidade de trabalho. Trabalha-se muito para ganhar muito pouco.
Esse sistema tem causado a uma parcela de habitantes da “nova senzala” uma revolta, um escape desse sistema por meios também violentos, mas dessa vez, a violência não é simbólica, é física mesmo. Essas pessoas, geralmente jovens, já que seu tempo de vida é curto, tem recorrido a fugir dessa exploração trabalhista e tem sido mão-de-obra para o mundo do crime, atividade perigosa, porém, bem mais lucrativa que as outras oportunidades de trabalho para eles restantes.
Segundo relatos colhidos no documentário “Favela Rising” (2005), um “funcionário” de médio escalão do tráfico de drogas no Rio de Janeiro ganha cerca de dois mil reais por semana.
Esses meninos, que por muitas vezes cultivaram desejos, sonhos, vêem em atividades como o tráfico a oportunidade de mudar seu futuro, sua realidade, além de se inserirem em um grupo social organizado e atingirem certo prestígio dentro de suas comunidades.
Cria-se todo um mito em torno da figura do criminoso no interior das periferias, onde eles adquirem uma imagem de vencedores ou mesmo de heróis daquele local. Muitos meninos da favela, ao serem perguntados o que querem ser quando crescer não demonstram dúvida: bandido.
A partir desse contexto, temos o inicio da tentativa de diferenciação dos demais na busca por uma identidade e pela demonstração poder. Uma das principais diferenciações se faz através do vestuário, e então observaremos o quanto a marca “Cyclone” está inserida na vida desses jovens.


A Cyclone


A marca Cyclone existe desde 1984, quando o surfista Roberto Valério em viagens à Austrália e Hawaí, sentiu a necessidade de criar uma marca voltada para o surf wear legitimamente brasileira, hoje a Cyclone possui 30 linhas de produtos. A marca visava como público os surfistas brasileiros, mas caiu no gosto de moradores das periferias, freqüentadores de bailes funks, integrantes de torcidas organizadas e membros de facções criminosas, sendo hoje um identificador social. Geralmente os jovens à margem da sociedade usam Cyclone como forma de demonstrar quem são e de onde vêm.
Em uma pesquisa feita através de depoimentos pela internet – sim, grande parte deles tem acesso à internet – podemos perceber a importância da roupa na vida dessas pessoas. Ela tem a capacidade de demonstrar o poder sem que eles precisem abrir a boca, portanto, é um meio de comunicação poderosíssimo.
Segundo o depoimento de um blog fornecido pelo usuário 1domorro, nos anos 90, a facção criminosa Comando Vermelho, do Rio de Janeiro, escolheu algumas roupas de marca para seus adeptos vestirem. A Cyclone foi a preferida, pelo fato de ser bastante cara e também por suas iniciais, CY, que quando escritas pareciam as iniciais da facção, CV(Comando Vermelho). Assim, começou a ser usada por pessoas que consentiam com a facção e foi se espalhando por outros locais do país.
A marca utiliza-se do rap e do funk como formas de mídia. Uma das letras diz repetidamente em formas de batidas do funk: “Andamos de Cyclone da cabeça aos pés”. Uma blusa da Cyclone custa cerca de cem reais, enquanto que as blusas de seus concorrentes variam entre vinte cinco e cinqüenta reais. A bermuda custa quase duzentos reais, e o boné, acessório essencial na composição dos usuários da marca, custa até quatrocentos reais. A conclusão é que para usar é preciso poder, quer dizer, é preciso dinheiro, que, no mundo capitalista em que vivemos, tem sido sinônimo de poder.
Segundo os usuários da marca, usá-la é uma forma de impor respeito. De acordo com chokito, “Cyclone não é marca de ladrão, agora, fazer o que se ladrão gosta de coisa boa?. Outro usuário complementa dizendo que: “O ladrão tem para gastar”.
Esteticamente e ideologicamente, a marca não tem conseguido se inserir nas camadas de classes mais ricas, por toda essa simbologia adquirida, que já é bastante forte.
             Bell diz que, a Cyclone os play respeita e passa mal, demonstrando assim que a marca tem causado certo incômodo à uma classe que teria condições de possuir a roupa mas que não adere por ter sido adotado por um público de classe oposta, independente da posse do dinheiro.
A roupa acaba exercendo certo medo em outras camadas da população, já que existe a imagem de que é roupa de criminoso e de que foi comprada através da exerção de atividades ilegais e criminosas como o roubo ou o tráfico. Alguns depoimentos que recebemos,em defesa aos que usam, diz que “Cyclone não é roupa de bandido, é a moda da gueto, e,com toda discriminação, impõe respeito.” Outro garoto diz que quando veste a Cyclone, se sente o rei.
Em relação a esses simbolismos que a moda lança na sociedade, Lipovetsky (2005), diz que: “ Ela (moda) não é mais tanto um setor específico e periférico, quanto uma forma geral em ação do todo social. Estamos imersos na moda um pouco em toda parte(...)”.

Conclusão
_________________________________________________________________

            O consumo da marca Cyclone por pessoas da periferia evidencia um fenômeno cultural da sociedade de consumo vigente, o jovem se sente seduzido por todo aquele universo que o faz se sentir parte de algo, de um movimento, tendo pessoas que considera seus “semelhantes”, vivendo da mesma forma que a sua. Sentem-se aceitos dentro de um grupo, utilizando a marca para legitimar a identidade e trazer poder, simbolizando uma ascensção social, que, apesar de obtida através de meios marginalizados pela sociedade, é aceito dentro do grupo.
            “ A cultura é compartilhada socialmente e necessita que seja aceita pela maioria da sociedade. Isto resulta que os indivíduos que não possuem certos aspectos culturais podem assumir o risco de serem rejeitados(...)” Faggiani,(2006)
            Assim, para se sentir parte, para que sintam que também estão consumindo e que também são cidadãos e que fazem parte da sociedade, esses jovens demonstram suas revoltas contra esse sistema, mesmo que inconscientemente, e ainda aderem à sua forma,às suas escolhas, adotando uma marca como forma de se identificar entre si e para os outros, com todo um significado em torno, principalmente no que se refere à status financeiros.
            Mesmo não consentindo com o comportamento desses jovens, acreditamos que tudo seja resultado de uma má formação social, já que eles também têm desejos como todos os outros, e, diferentemente de alguns outros, nascem em meio à criminalidade, com a falta de um panorama adequado para que possam mudar suas realidades. Como diz a letra de Chico Science & Nação Zumbi, o bandidismo é gerado por uma questão de classe. Esse sentimento de inferioridade diante de outros membros da sociedade gera neles uma revolta. Como são vulneráveis e cultivam desejos, acabam arriscando suas vidas na perigosa atividade criminosa, que gera lucros, porém tira muitas vidas.


Bibliografia

BOURDIEU,Pierre. A Distinção. Ed. Zahar, SãoPaulo, SP, 2008
FAGGIANI, Kátia. O Poder do Design, da Ostentação à Emoção. Ed. Thesaurus, SãoPaulo,SP, 2006.
LIPOVETSKY, Gilles. Império do Efêmero: a moda e seu destino nas sociedades modernas. Ed. Companhia das Letras. São Paulo, SP, 1989
RIBEIRO, Darcy,O Povo Brasileiro.Ed, Schwarcz, São Paulo, SP. 2008
Sites:
PINHEIRO, Sálvia. euseieuvietal.blogspot.com/2010/09/cyclone.html . Fortaleza, Ce, 2010
Filmes:
Direção: Matt Mochary e Jeff Zimbalist. Favela Rising. Rio de janeiro, RJ. 2005