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terça-feira, 26 de julho de 2011

Cabeça de Porco

O tempo começa a ficar cada vez mais curto, e eu bem perto de sair da faculdade
O meu assunto para o estudo monográfico já escolhi: a Cyclone
Nunca pensei que fosse me envolver tanto e me dedicar tanto a essa pesquisa, mas o fato é que ela tem me mobilizado mesmo, com uma ação sincera. Ás vezes me comovo, me vejo compartilhando sentimentos, me abalo...
E hoje trago aqui o resultado da minha leitura do livro Cabeça de Porco, escrito a seis mãos por MV Bill, Celso Athaíde e Luís Eduardo Soares em 2005
Fui lendo sem saber ao certo se conseguiria estabelecer ligações entre minha pesquisa e o conteúdo do livro, e pude ver que sim, muitas e muitas ligações estava postas, não só em relação à minha pesquisa, mas também em relação a tantas realidades que as pessoas insistem em não querer ver

I O Rio como influência da cultura da violência



“Ele usava uma espada muito parecida com aquela que a imprensa mostrou, muitas vezes, como sendo a que matou Tim Lopes – se era mesmo, ninguém sabe. No início, achei que fosse coincidência, mas quando começamos a filmar, percebi que eles usavam as mesmas expressões do Rio de janeiro. Chamavam os inimigos de “alemão”, diziam-se do “Comando Vermelho”; seus inimigos eram nomeados “Terceiro Comando”, e muitas outras gírias totalmente cariocas eram empregadas. Ele reproduziam com precisão o dialeto das favelas cariocas.Era a primeira vez  que tínhamos visto um caso como esse, parecia que os comandos do Rio de janeiro tinham franchaises espalhados por lá.

Ali eu vi claramente o quanto a televisão contribui e contribuiu para a nacionalização da criminalidade; como a televisão massifica e acaba estimulando as pessoas a fazer o que se estampa na tela. Não estou dizendo que aquele cara seja bandido por causa da TV, estou dizendo que a forma como as TVs divulgam as notícias acaba sendo a maior fonte de alimentação para esses jovens, que já têm tendências sociais a essas práticas a partir de seu desejo e de suas limitações. A TV consolida a informação e as posições deles. Pior que isso, as TVs não somente fazem as matérias de forma equivocada – considerando-se o ponto de vista do qual observo a situação, claro-, como também colaboram pra manutenção e ampliação do problema, ao desenvolver campanhas de propaganda que giram em torno da valorização de sexo, status e poder(...)”
(Uma Noite em Joinville, por Celso Athaíde, p.55)


“Com os olhos comecei a procurar aquele que poderia ser o “patrão” do morro. Até que deparei com um maluco branco, alto, meio banhoso, com cara de 18 anos no máximo. Ele tinha em uma das mãos um baseado da grossura de um dedo e do tamanho de uma caneta. Tinha cabelo rasteiro e usava costeleta. Bermuda da Cyclone, meias pretas, tênis Adidas Cooper, camisa cinza com estampa da foto do Mike Tyson. Levava na cintura uma espada dentro de uma bainha(...)”
(Curitiba: nos fundos da cidade modelo, por MV Bill, p.63) 
E a onda da Cyclone começou mesmo nos morros do Rio de janeiro e se espalhou pelo resto do Brasil, talvez reflexo dessa referência que é o Rio de Janeiro como fonte propagadora dessa cultura.

II A invisibilidade

“Um jovem pobre e negro caminhando pelas ruas de uma grande cidade brasileira é um ser socialmente invisível. Como já deve ser bastante claro a esta altura, há muitos modos de ser invisível e várias razões para sê-lo. No caso desse nosso personagem, a invisibilidade decorre principalmente do pré-conceito e indiferença. Uma das formas mais eficientes de tornar alguém invisível é projetar sobre ele ou ela um estigma, um preconceito. Quando o fazemos, anulamos a pessoa e só vemos o reflexo de nossa própria intolerância. Tudo aquilo que distingue a pessoa, tornando-a um indivíduo; tudo o que nela é singular, desaparece. O estigma dissolve a identidade do outro e a substitui pelo retrato estereotipado e a classificação que lhe impomos.
Quem está ali na esquina não é o Pedro, o Roberto, a Maria, com suas respectivas idades e histórias de vida. Quem está ali é o “moleque perigoso” ou a “guria perdida”, cujo comportamento passa a ser previsível. Lança sobre uma pessoa um estigma correspondente a acusá-la simplesmente pelo fado de ela existir. Prever seu comportamento estimula e justifica a adoção de atitudes preventivas. Como aquilo que se prevê é ameaçador, a defesa antecipada será a agressão ou a fuga, também hostil. Quer dizer, o preconceito arma  o medo que dispara a violência, preventivamente
(Invisibilidade, reconhecimento e a fonte afetiva do crime, por Luís Eduardo Soares, p. 175)

III Identidade

“Identidade é uma palavra enigmática: por um lado, significa a originalidade de alguém, a singularidade que torna cada pessoa incomparável e única; por outro lado, adquire o sentido oposto ao designar a semelhança que aproxima duas pessoas (...) ”
"(...) criamo-nos a nós mesmos na interações, seja em conformidade com os outros, seja em contraste com eles.”
“Numa direção ou noutra, a identidade para os jovens é um processo penoso e complicado. As referências positivas escasseiam e se embaralham com as negativas. A construção de si é bem mais difícil que escolher uma roupa, ainda que analogia não seja de todo má, uma vez que o interesse por uma camisa de marca, pelo tênis de marca, corresponde a um esforço para ser diferente e para ser igual, para ser diferente-igual-aos-outros , isto é, daqueles que merecem a admiração das meninas( e da sociedade ou dos segmentos sociais que mais importam aos jovens – o que também varia, é claro). Roupas, posturas e imagens compõem uma linguagem simbólica inseparável de valores."
 “(...) A identidade só existe no espelho e esse espelho é olhar dos outros, é o reconhecimento dos outros. É a generosidade do olhar do outro que nos devolve nossa própria imagem ungida de valor, envolvida pela aura de significação humana, da qual a única prova é o reconhecimento alheio. Nós nada somos e valemos nada se não contarmos com o olhar acolhedor, se não formos vistos, se o olhar do outro não nos recolher e salvar da invisibilidade – invisibilidade que nos anula e que é sinônimo, portanto, de solidão e incomunicabilidade, falta de sentido e valor. Por isso construir uma identidade é necessariamente um processo social, interativo, de que participa uma coletividade e que se dá  no âmbito de uma cultura e no contexto de um determinado momento histórico.”
“Assim como não inventamos uma linguagem, individualmente, assim como não há linguagem privada, tampouco há identidade de um homem-ilha, de uma mulher-ilha, apartada de toda e qualquer ralação humana. Nos jogos de olhares, palavras e sentimentos, trocamos sinais e mais sinais, pelos movimentos do corpo e as expressões do corpo. Estamos imersos em florestas de símbolos, como dizia Baudelaire, e somos seres de linguagem, como a filosofia, a antropologia e a psicanálise nos ensinaram. Toda linguagem é material e datada, é construção humana coletiva, em permanente mudança. Por conseqüência, sendo a identidade uma experiência da relação, que se dá na esfera da intersubjetividade, dos símbolos das linguagens, da cultura, ela é sempre uma experiência histórica e social.”
(Identidade em Obras I: Adolescência, por Luís Eduardo Soares, p. 205 a 207)

IV O Brasil e a realidade da guerra

Curioso e paradoxal é que, no Brasil, para os jovens pobres, não há adolescência: salta-se direto da infância ao mundo do trabalho (ou do desemprego). É mais ou menos o que acontece, em nosso país, com as etapas e o processo civilizatório. Parece que estamos vivendo uma regressão, em alguns aspectos, da qual resulta a convivência entre etapas históricas diferentes, cada uma com suas características sociais e culturais: hoje, no Brasil,  os homens não são treinados apenas para a guerra e os valores dominantes na socialização dos meninos não são valores ligados à guerra. Será? Em certa medida, com a ascensão vertiginosa da violência e do desemprego no quadro de estagnação econômica e aprofundamento das desigualdades, com o ingresso cada vez mais precoce dos jovens na economia informal, será que estamos gestando um híbrido tropical muito peculiar, com mais ingredientes tradicionais da cultura masculina belicista e menos elementos da modernidade ocidental européia em que forjamos, como nação?(...) não estamos combinando no Brasil, traços avançados da democracia participativa com a supressão a galope da adolescência e a revalorização da moralidade guerreira tradicional?
(Identidade em Obras II: Adolescência e a problemática ardilosa das “causas” da violência,  por Luís Eduardo Soares, p. 208 a 211)
Ele estava me pedindo muita coisa: tênis da moda, roupa da moda, essas coisas. Eles pedem, todos eles pedem(...) Hoje em dia, não tem mais bicicleta para o menor, eles querem moto. Se eles entram para o tráfico, eles conseguem a moto. E eles conseguem isso com muita facilidade.
(...) como se olha, vivendo numa comunidade que só tem vagabundo que foi criado com a gente desde pequeno, cresceu, escolheu o outro lado. Como é que a gente vai deixar de falar com essas pessoas? Se eu moro aqui. Não tem como, eles vão ser meus amigos até morrer. Não foram eles que escolheram essa vida. Tenho diferença com eles, mas é uma opção de vida, é um meio de vida. Eles não estão ali porque gostam, porque ninguém gosta de ficar sem dormir, sofrer, correr da polícia. É uma opção de sobrevivência. Todos eles têm família. Se eles pudessem, saíam.
A televisão atrapalha muito, sabia? Mostrando as coisas que acontecem. Meu filho acha bonito aparecer como um cara perigoso pras comunidades, pra polícia.(...)
O que estimula mais ele, não é o dinheiro não, é mais ele poder aparecer. Mostrar quem é, mostrar que pode, entendeu?
É também a pressa de ganhar dinheiro. Hoje em dia, a evolução do mundo está rápida, muito rápida. Os meninos ficam sabendo desses corruptos que roubam milhões do INSS. E nada acontece. Quem vai querer uma vida de trabalho duro e honesto?
A televisão mostra muita coisa errada. A gente vê cada coisa bárbara na televisão. Isso aí serve de exemplo pros pequenos; eles acham que é fácil: os grandões fazem e não dá nada, vou fazer também. Querem ver um meio mais rápido de ganhar dinheiro. Tudo é a facilidade de ganhar dinheiro.
(Labirinto, depoimento de um pai de traficante, p. 212 e 213)
V Um pedido de socorro
(...) Um dia um traficante dá a um desse meninos uma arma. Quando um desses meninos nos parar na esquina, apontando-nos esta arma, estará provocando em cada um de nós um sentimento – o sentimento do medo, que é negativo, mas é um sentimento. Ao fazê-lo, saltará da sombra que desaparecera e se tornará visível. A arma será o passaporte para a visibilidade.
Saltando para fora do escuro em que o guardamos e o esquecemos, o garoto armado readquire densidade antropológica, isto é, vira um homem de verdade. Antes, invisível, era um fantasma transparente, portador de uma carcaça porosa e imperceptível.(...) Pois agora tudo mudou. Num passe de mágica, o mundo ficou de cabeça para baixo: quem passava sem vê-lo lhe obedece. Invertem-se as posições. Quem desfila sua soberba destilando indiferença, agora submete-se à autoridade do jovem desconhecido. Celebra-se um pacto físico: o jovem troca seu futuro, sua alma, seu destino, por um momento de glória, um momento fugaz de glória vã; seu futuro pelo acesso à superfície do planeta, onde se é visível.
Pois é aí que as instituições que dirigem a sociedade metem os pés pelas mãos. Quando seria necessário reforçar a auto-estima dos jovens transgressores no processo de sua recuperação e mudança, as instituições jurídico-políticas os encaminham na direção contrária: punem, humilham e dizem a eles: “Vocês são o lixo da humanidade.” É isso que lhes é dito quando são enviados às instituições “socioeducativas”, que não merecem o nome que têm – o nome mais parece uma ironia(...)

As instituições os condenam à morte simbólica e moral, na medida em que matam seu futuro, eliminando as chances de acolhimento, revalorização, mudança e recomeço. Foi dada a partida no círculo vicioso da violência e da intolerância. O desfecho é previsível; a profecia se cumprirá: reincidência. A carreira do crime é uma parceira entre a disposição de alguém  para transgredir as normas da sociedade e a disposição da sociedade para não permitir que essa pessoa desista(...)
(O menino invisível se arma, por Luís Eduardo Soares, p. 215 a 219)
 VI O assalto da visibilidade
Eu acho que mulher gosta de viver perigosamente; mulher gosta de uma arma; acho que é sentimento de poder.

A mina ta com o cara com o maior fuzilão, ninguém olha, ninguém mexe, ninguém fala nada(...) Nessa, ela cheia de marra, a calça é da Gang e está tipo gostosona, e ninguém se mete com ela, ela está na favela, e todo mundo fumando maconha, aquele fervo. Cheiro de maconha, vagabundo de revólver, vários carros novos chegando – Audi, Honda, Mercedes -, tudo roubado e tudo com vagabundo de fuzil, e elas estão no meio. Elas gostam disso(...)
Tu não imagina, a mulherada chega aqui de Palio zerinho, os pais são da Barra, elas moram na Barra, mas parece que não encontram lá o cara certo, e vem procurar aqui.
(Quer ganhar uma mulher? Bota um fuzil no pescoço, depoimentos de entrevistado, p.224)
O jovem pede a carteira; aponta a arma para minha cabeça e pede  a carteira. Pede, não. Ordena. Velha fórmula: a bolsa ou a vida. Leva o dinheiro. Com a grana compra um tênis de marca. Onde está a fome de sentido de valor? Onde o clamor por reconhecimento? A arma é o passaporte para a visibilidade e instrumento de auto-afirmação ou é só atalho para o cofre?
Lado B: o dinheiro obtido no assalto troca-se pelo tênis de marca, pela camisa de marca. Essa frivolidade é uma pista. A camisa com o nome e sobrenome e o tênis notabilizado pelo pedigree apontam numa direção: a grana vai para a marca, não para o calçado ou para a camisa, não para o atendimento a necessidades físicas(...)No caso, o que está em jogo, é a busca pelo reconhecimento é a busca pelo reconhecimento e valorização, a marca é o que importa; é a marca o objeto cobiçado; é ela que atende a necessidade. O vestuário (na moda) interessa como sinal de distinção, isto é, de valorização. O fetiche na moda, cumpre essa função: quem a consome deseja diferenciar-se  para destacar-se, valorizando-se – mal percebe que copia o movimento de todos, tornando-se , assim, indistinguivelmente banal. De todo modo, mesmo iludindo-se com o ardil da moda, mesmo enganando-se – como aliás, todos os jovens(e os não-tão-jovens) das camadas médias e das elites -, os jovens invisíveis copiam os hábitos dos outros para identificar-se com os outros, passando a valer o que eles valem para a sociedade. Inclusão é o sonho, respeito é a utopia. Aí esta o fio da meada que nos trouxe da grana ao símbolo(...)
Quando o jovem compra o tênis de marca ganha de brinde o ingresso no grupo – no grupo dos que reconhecem a marca e valorizam a moda de que envolve determinadas escolhas estéticas mas também, freqüentemente, algumas escolhas éticas. A moda envolve uma certa coreografia, posturas, comportamentos e uma certa agenda. Se for mais ambiciosa o como foram os movimentos hippie, punk, yuppie – envolverá até uma ideologia ou um conjunto de crenças.(...)
Todos nós nos sentimos reconfortados quando nos filiamos a algum grupo. Participar de um grupo é gratificante porque fortalece o sentimento de que temos valor e a sensação de que aquilo que pensamos e sentimos é compartilhado por outros, o que lhe revigora o valor de verdade e de correção moral. Filósofos já disseram que realidade é ilusão compartilhada. Nem é preciso ser tão radical para compreender a relevância desse apoio mútuo.
 Em geral, somos membros de vários grupos ao mesmo tempo: família, igreja, partido, sindicato, associação de moradores, clube, etc. cada entidade tem suas próprias regras de funcionamento e condições de pertencimento. Os grupos se fortalecem quando enfrentam conflitos externos a rivalidade vivida fora do grupo aproxima os membros(...)Por isso, nada com a guerra para unir(...)
Não parece lógico, portanto, que jovens invisíveis, carentes de tudo que uma participação em um grupo pode oferecer, procurem aderir a grupos cuja identidade se forja na e para a guerra? Entende-se o sucesso das facções do tráfico no recrutamento da gurizada(...)
VII As gata também pira

(...)o julgamento que importa aos meninos em armas é o veredicto das meninas(...)tudo está contido na aprovação delas, que e manifesta na bandeira do desejo e da admiração(...)
Se o desejo das gurias é o desejo dos guris(...), a história entorta quando muitas, entre elas, elegem como modelo o macho violento, arrogante, poderoso e armado(...) instaura-se um magnetismo perverso que enseja a emulação da prepotência armada. As moças, aquelas encantadas pela estetização do mal, atuam como mediadoras da violência, turbinando a adrenalina de seus pares(...)
(...)é preciso que se diga que as gurias estão se tornando mais do que meras mediadoras ou muletas que  sustentam  modelos de identificação para os guris. Elas têm assumido posições de destaque, frequentemente como protagonistas, para o bem e para o mal. Ou seja, têm matado e morrido mais, participando do crime, e têm salvado e morrido mais, participando dos esforços de paz. O que não significa  que, no mundo do crime, elas não continuem sendo oprimidas e humilhadas. O crime parece concentrar o que há de pior na sociedade: a busca do dinheiro a qualquer preço e o machismo mais despudorado e violento.
(Guris e gurias mostram suas armas, por Luís Eduardo Soares, p. 226 a 232)
 VIII Brasil que banaliza
(...) Já aludi ao fato de que assalto à mão armada seria inconcebível em outras sociedades e culturas. A sociedade brasileira banaliza o delito e se aprimora na arte de desmoralizar alguns limites que nossa própria tradição cultural reverencia, pulverizando referências, diluindo critérios, relativizando responsabilidades e sedando o espírito crítico. O dilentismo blasé com que muitas vezes lhe damos com as questões éticas consagrou uma bizarra combinação entre paternalismo e rigor punitivo.
O fato é que no Brasil, a violação dos direitos trivializou-se, a agressão é quase um capricho, a violência compara-se à frivolidades, o homicídio rotinizou-se(...) Nas vilas e favelas, a rapaziada do movimento associa armas e violência à virilidade, masculinidade e virtude pessoal(...) 
(A cultura da paz, por Luís Eduardo Soares, p. 239 e 240)
IX Lei e vítima
Para a população, crimes não são transgressões da lei pena, são violações culpáveis da lei moral(...) Como não há consenso na sociedade quanto à lei moral, a lei penal  deve ser respeitada como acordo prático possível(...)

(...) A vítima letal brasileira típica é jovem, do sexo masculino, te entre 15 e 14 anos(...) mora nas vilas, favelas ou periferias das metrópoles e, frequentemente é negra(...)
Há um déficit de jovens, entre 15 e 24 anos, na sociedade brasileira – fenômeno que só se verifica nas estruturas demográficas de sociedades que estão em guerra. Portanto, o Brasil vive as conseqüência de uma guerra inexistente e, mais que em qualquer outro, determinado setor social está pagando com a vida o preço dessa tragédia(...)
(O sentidos da violência, a criminalidade no Brasil e no Rio de Janeiro, por Luís Eduardo Soares, p. 246 a 249)


X A polícia
Os polícias? Olha, eu vejo aqui, eu sou bandido, mas se você for avaliar um polícia, você vai ter mais inquérito que qualquer marginal, porque cada mês ele mata um, todo dia ele rouba um. O salário de um policial não dá pra ele ter um Honda. Vai no posto. Dá uma olhada quanto Honda está parado lá. O que eu acho, cara, é que o sistema está podre, o sistema está todo podre,  os policiais, os deputados, os políticos. Então, eu acredito que se os políticos fossem mais cobrados não existiria essa pouca-vergonha toda aí. O político rouba, não vai preso; o polícia rouba; o polícia bota bagulho no seu bolso para te prejudicar...
(Os Polícias, depoimento de entrevistado, p.259)

XI Tristeza

(2) Celso mencionou a depressão desoladora que derruba os espíritos, nos bairros mais pobres das periferias e favelas. Canta-se em prosa e verso o Brasil zombeteiro, alegre e festeiro, que abre espaços para a felicidade, em meio até à miséria, com o futebol e o samba no pé. Nem tudo é fantasia e folclore, nessa mitologia de hedonismo tupiniquim, mas o momento exige um pouco mais de cuidado nas generalizações. As palavras de Celso, repito, são muito graves: a depressão campeia nas favelas. Estamos falando em de-pres-são. É forte o termo, e dolorosa a realidade. Cada um de nós sabe o que significa. O abatimento psíquico contamina o corpo, inibe iniciativas, arruína esperanças, reforça o medo, interpõe retraimento. Chega de folclore. Vamos reconhecer e tratar essa dor. Ela é conseqüência, mas também causa da violência. Aliás, como vimos, as conseqüências em geral se tornam causas e realimentam o círculo vicioso destrutivo e autodestrutivo. As próprias drogas; como pensá-las sem mencionar o sofrimento psíquico que produzem e de que se alimentam?


XII Como lutar nesta guerra?
Se nosso propósito é reduzir a capacidade de recrutamento do tráfico, melhor e mais realista do que tentar destruí-lo é dispor-se a competir com ele. O tráfico é um pólo de atração (...) Se o tráfico recruta, seduz, atrai, é porque oferece benefícios. Quais? Os benefícios são as evidentes vantagens materiais, como dinheiro e acesso ao consumo, e são também os bens simbólicos e afetivos, como a sensação de  importância e poder, o status , o sentimento de pertencimento a um grupo dotado se identidade – tudo isso significa valorização pessoal, reforço da auto-estima. Um bem simbólico especialmente prezado é a masculinidade, aquele tipo quase mágico de virilidade que se materializa como um diferente poder de sedução das meninas da comunidade e até dos bairros afluentes da cidade.
Às vezes qualquer emprego resolve; em geral, não é bem assim que acontece. Com freqüência, ouvi da rapaziada que não vale a pena repetir a trajetória de fracassos de sues pais. Eles não querem ser apenas pintores de nossas paredes, mecânicos de nossos carros, engraxates de nossos sapatos. Eles querem o que nossos filhos querem: internet, música, arte, dança, esporte, cinema, mídia, tecnologia de última geração, criatividade(...)
Quando (...)proporcionam aos jovens das periferias e favelas acesso à criação cultural e à expressão artística, na prática, lhes oferecem  um campo em que podem exercitar a própria subjetividade e expressividade, mostrando-se, inventando-se como pessoas,  ante olhares atentos e respeitosos de audiência, que os valorizam pela mera atenção que prestam. Tudo isso é simplificado se uma câmera acende sua luzinha, anunciando que, atrás de si, está presente um auditório virtual ilimitado(...) A luzinha representa atenção em si mesma. Esta atenção valoriza quem se sente ninguém, que se sente invisível. Ela ilumina a alma e alimenta um saudável narcisismo, que nada tem a ver com fetiches das celebridades de um mercado inatingível. Fica faltando o afeto? É verdade. Mas a atenção é uma forma tosca de afeto. Um primeiro passo.
(Rasga coração, por Luís Eduardo Soares, p. 281 a 286)

terça-feira, 3 de maio de 2011

LIvro: Consumo de Moda

A minha dica hoje é o livro
Consumo de Moda - A relação pessoa-objeto, 
de Ana Paula de Miranda


Não precisa mais ler Lipovetsky, Bourdieu, Bauman ou Cobra!
Brincadeiras à parte, o livro aborda o pensamento desses caras de uma forma gostosa e inovadora: dando a sensação: porque que eu não li isso antes?
Vai às profundezas da antropologia da moda, ao contrário do que o título parece mostrar, falando do consumo simbólico, poder, semiótica e identidade
Com capa de Ronaldo Fraga e edição editorial de Katia Castilho
"Neste mundo moderno é fundamental que tudo se comunique. A dinâmica da sociedade moderna se movimenta em torno da comunicação e dos valores disseminados por ela mediante os símbolos construídos e compartilhados."
E assim vai...

Editora: estação das letras e cores, 2008
R$ 35,00 na cultura

sábado, 18 de dezembro de 2010

Cyclone II (Ensaio)

Posto aqui o ensaio que escrevi em conjunto sobre a Cyclone



Bandidismo Por uma Questão de Classe
Chico Science & Nação Zumbi

Há um tempo atrás se falava de bandidos
Há um tempo atrás se falava em solução
Há um tempo atrás se falava em progresso
Há um tempo atrás que eu via televisão

Galeguinho do Coque não tinha medo, não tinha
Não tinha medo da perna cabiluda
Biu do olho verde fazia sexo, fazia
Fazia sexo com seu alicate
Galeguinho do Coque não tinha medo, não tinha
Não tinha medo da perna cabiluda
Biu do olho verde fazia sexo, fazia
Fazia sexo com seu alicate

Oi sobe morro, ladeira, córrego, beco, favela
A polícia atrás deles e eles no rabo dela
Acontece hoje e acontecia no sertão
Quando um bando de macaco perseguia Lampião
E o que ele falava outros hoje ainda falam
"Eu carrego comigo: coragem, dinheiro e bala"

Em cada morro uma história diferente
Que a polícia mata gente inocente
E quem era inocente hoje já virou bandido
Pra poder comer um pedaço de pão todo fudido

Galeguinho do Coque não tinha medo, não tinha
Não tinha medo da perna cabiluda
Biu do olho verde fazia sexo, fazia
Fazia sexo com seu alicate
Galeguinho do Coque não tinha medo, não tinha
Não tinha medo da perna cabiluda
Biu do olho verde fazia sexo, fazia
Fazia sexo com seu alicate

Oi sobe morro, ladeira, córrego, beco, favela
A polícia atrás deles e eles no rabo dela
Acontece hoje e acontecia no sertão
Quando um bando de macaco perseguia Lampião
E o que ele falava outros hoje ainda falam
"Eu carrego comigo: coragem, dinheiro e bala"

Em cada morro uma história diferente
Que a polícia mata gente inocente
E quem era inocente hoje já virou bandido
Pra poder comer um pedaço de pão todo fudido

Banditismo por pura maldade
Banditismo por necessidade
Banditismo por pura maldade
Banditismo por necessidade

Banditismo por uma questão de classe!
Banditismo por uma questão de classe
Banditismo por uma questão de classe!
Banditismo por uma questão de classe!


UNIVERSIDADE FEDERAL DO CEARÁ- UFC
INSTITUTO DE CULTURA E ARTE – ICA
CURSO DE ESTILISMO E MODA







LAURA NEFITALI
MEIRIANE NASCIMENTO
SÁLVIA BRAGA PINHEIRO




CYCLONE – A MARCA COMO DEMONSTRAÇÃO DE PODER E SIMBOLISMO NAS PERIFERIAS DO BRASIL













 FORTALEZA, 29 DE NOVEMBRO DE 2010










CYCLONE – A Marca como Demonstração de Poder e Simbolismo nas Periferias do Brasil.




Introdução

A desigualdade social é um dos aspectos mais visíveis por todo o vasto território brasileiro. Existe uma minoria que concentra uma grande parte da renda, enquanto que a maioria vive em situação de dificuldades financeiras ou mesmo de miséria.
Como diz a letra de uma música do Lobão intitulada Revanche, “A favela é a nova senzala”, lugar onde mão-de-obra do sistema capitalista dorme, depois de cumprir uma longa jornada de trabalho.
Nas teorias do sociólogo Pierre Bourdieu, encontramos conceitos como o da Violência Simbólica, que é exercido diariamente nessa guerra aparentemente imperceptível, a guerra das classes sociais, cujas minoria dominante subjuga a maioria dominada.
Toda essa violência simbólica causa diversas reações nas classes oprimidas, a mais comum é o desejo de alcançar certo status através da posse de objetos ostentatórios. O principal e mais primordial é a roupa. Vê-se um movimento muito grande das massas em busca de consumir cada vez mais. O poder de consumo tem proporcionado a essas massas um gosto de alcance, de vitória.
Mas não é somente desejo, o resultado de toda essa violência.  Sabe-se que as condições de trabalho oferecidas à massa de trabalhadores não é das melhores, e não tem mudado muito daqueles tempos do engenho para agora. Para as mulheres, continuam os trabalhos de cuidar de casa, já que a “patroa” não está acostumada com esse tipo de serviço. Para os homens, construção civil, carregar peso ou fazer os mesmos movimentos repetitivos em uma fábrica com condições desumanas. E o salário é inversamente proporcional à quantidade de trabalho. Trabalha-se muito para ganhar muito pouco.
Esse sistema tem causado a uma parcela de habitantes da “nova senzala” uma revolta, um escape desse sistema por meios também violentos, mas dessa vez, a violência não é simbólica, é física mesmo. Essas pessoas, geralmente jovens, já que seu tempo de vida é curto, tem recorrido a fugir dessa exploração trabalhista e tem sido mão-de-obra para o mundo do crime, atividade perigosa, porém, bem mais lucrativa que as outras oportunidades de trabalho para eles restantes.
Segundo relatos colhidos no documentário “Favela Rising” (2005), um “funcionário” de médio escalão do tráfico de drogas no Rio de Janeiro ganha cerca de dois mil reais por semana.
Esses meninos, que por muitas vezes cultivaram desejos, sonhos, vêem em atividades como o tráfico a oportunidade de mudar seu futuro, sua realidade, além de se inserirem em um grupo social organizado e atingirem certo prestígio dentro de suas comunidades.
Cria-se todo um mito em torno da figura do criminoso no interior das periferias, onde eles adquirem uma imagem de vencedores ou mesmo de heróis daquele local. Muitos meninos da favela, ao serem perguntados o que querem ser quando crescer não demonstram dúvida: bandido.
A partir desse contexto, temos o inicio da tentativa de diferenciação dos demais na busca por uma identidade e pela demonstração poder. Uma das principais diferenciações se faz através do vestuário, e então observaremos o quanto a marca “Cyclone” está inserida na vida desses jovens.


A Cyclone


A marca Cyclone existe desde 1984, quando o surfista Roberto Valério em viagens à Austrália e Hawaí, sentiu a necessidade de criar uma marca voltada para o surf wear legitimamente brasileira, hoje a Cyclone possui 30 linhas de produtos. A marca visava como público os surfistas brasileiros, mas caiu no gosto de moradores das periferias, freqüentadores de bailes funks, integrantes de torcidas organizadas e membros de facções criminosas, sendo hoje um identificador social. Geralmente os jovens à margem da sociedade usam Cyclone como forma de demonstrar quem são e de onde vêm.
Em uma pesquisa feita através de depoimentos pela internet – sim, grande parte deles tem acesso à internet – podemos perceber a importância da roupa na vida dessas pessoas. Ela tem a capacidade de demonstrar o poder sem que eles precisem abrir a boca, portanto, é um meio de comunicação poderosíssimo.
Segundo o depoimento de um blog fornecido pelo usuário 1domorro, nos anos 90, a facção criminosa Comando Vermelho, do Rio de Janeiro, escolheu algumas roupas de marca para seus adeptos vestirem. A Cyclone foi a preferida, pelo fato de ser bastante cara e também por suas iniciais, CY, que quando escritas pareciam as iniciais da facção, CV(Comando Vermelho). Assim, começou a ser usada por pessoas que consentiam com a facção e foi se espalhando por outros locais do país.
A marca utiliza-se do rap e do funk como formas de mídia. Uma das letras diz repetidamente em formas de batidas do funk: “Andamos de Cyclone da cabeça aos pés”. Uma blusa da Cyclone custa cerca de cem reais, enquanto que as blusas de seus concorrentes variam entre vinte cinco e cinqüenta reais. A bermuda custa quase duzentos reais, e o boné, acessório essencial na composição dos usuários da marca, custa até quatrocentos reais. A conclusão é que para usar é preciso poder, quer dizer, é preciso dinheiro, que, no mundo capitalista em que vivemos, tem sido sinônimo de poder.
Segundo os usuários da marca, usá-la é uma forma de impor respeito. De acordo com chokito, “Cyclone não é marca de ladrão, agora, fazer o que se ladrão gosta de coisa boa?. Outro usuário complementa dizendo que: “O ladrão tem para gastar”.
Esteticamente e ideologicamente, a marca não tem conseguido se inserir nas camadas de classes mais ricas, por toda essa simbologia adquirida, que já é bastante forte.
             Bell diz que, a Cyclone os play respeita e passa mal, demonstrando assim que a marca tem causado certo incômodo à uma classe que teria condições de possuir a roupa mas que não adere por ter sido adotado por um público de classe oposta, independente da posse do dinheiro.
A roupa acaba exercendo certo medo em outras camadas da população, já que existe a imagem de que é roupa de criminoso e de que foi comprada através da exerção de atividades ilegais e criminosas como o roubo ou o tráfico. Alguns depoimentos que recebemos,em defesa aos que usam, diz que “Cyclone não é roupa de bandido, é a moda da gueto, e,com toda discriminação, impõe respeito.” Outro garoto diz que quando veste a Cyclone, se sente o rei.
Em relação a esses simbolismos que a moda lança na sociedade, Lipovetsky (2005), diz que: “ Ela (moda) não é mais tanto um setor específico e periférico, quanto uma forma geral em ação do todo social. Estamos imersos na moda um pouco em toda parte(...)”.

Conclusão
_________________________________________________________________

            O consumo da marca Cyclone por pessoas da periferia evidencia um fenômeno cultural da sociedade de consumo vigente, o jovem se sente seduzido por todo aquele universo que o faz se sentir parte de algo, de um movimento, tendo pessoas que considera seus “semelhantes”, vivendo da mesma forma que a sua. Sentem-se aceitos dentro de um grupo, utilizando a marca para legitimar a identidade e trazer poder, simbolizando uma ascensção social, que, apesar de obtida através de meios marginalizados pela sociedade, é aceito dentro do grupo.
            “ A cultura é compartilhada socialmente e necessita que seja aceita pela maioria da sociedade. Isto resulta que os indivíduos que não possuem certos aspectos culturais podem assumir o risco de serem rejeitados(...)” Faggiani,(2006)
            Assim, para se sentir parte, para que sintam que também estão consumindo e que também são cidadãos e que fazem parte da sociedade, esses jovens demonstram suas revoltas contra esse sistema, mesmo que inconscientemente, e ainda aderem à sua forma,às suas escolhas, adotando uma marca como forma de se identificar entre si e para os outros, com todo um significado em torno, principalmente no que se refere à status financeiros.
            Mesmo não consentindo com o comportamento desses jovens, acreditamos que tudo seja resultado de uma má formação social, já que eles também têm desejos como todos os outros, e, diferentemente de alguns outros, nascem em meio à criminalidade, com a falta de um panorama adequado para que possam mudar suas realidades. Como diz a letra de Chico Science & Nação Zumbi, o bandidismo é gerado por uma questão de classe. Esse sentimento de inferioridade diante de outros membros da sociedade gera neles uma revolta. Como são vulneráveis e cultivam desejos, acabam arriscando suas vidas na perigosa atividade criminosa, que gera lucros, porém tira muitas vidas.


Bibliografia

BOURDIEU,Pierre. A Distinção. Ed. Zahar, SãoPaulo, SP, 2008
FAGGIANI, Kátia. O Poder do Design, da Ostentação à Emoção. Ed. Thesaurus, SãoPaulo,SP, 2006.
LIPOVETSKY, Gilles. Império do Efêmero: a moda e seu destino nas sociedades modernas. Ed. Companhia das Letras. São Paulo, SP, 1989
RIBEIRO, Darcy,O Povo Brasileiro.Ed, Schwarcz, São Paulo, SP. 2008
Sites:
PINHEIRO, Sálvia. euseieuvietal.blogspot.com/2010/09/cyclone.html . Fortaleza, Ce, 2010
Filmes:
Direção: Matt Mochary e Jeff Zimbalist. Favela Rising. Rio de janeiro, RJ. 2005

sexta-feira, 29 de outubro de 2010

Zupi - Quero te ver lá

 Foi entre os brindes do R Design que conheci a revisata Zupi, que é basicamente uma reunião dos trabalhos de nossos colegas ilustradores. Quem quiser, pode mandar seus trampos e se eles curtirem, publicam sim

"Um dos principais objetivos da Zupi, desde sua criação, foi a de divulgar e fomentar o design. Uma de nossas prioridades sempre foi ter espaços para mostrar trabalhos artisticos e experimentais basicamente de qualquer um que nos enviar suas artes.

Queremos ver o seu trabalho. Estamos interessados naquilo que você faz. Seja trabalhos de ilustração, fotografia, artes gráficas, design, 3d, animação, motion design, tipografia, pintura, grafiti, filme, moda etc. Mas damos uma enorme preferência para trabalhos criativos, artisticos e experimentais. 

Não vamos enganar você e dizer que todos entram na revista. O fato é que temos poucas páginas então precisamos fazer uma seleção com controle de qualidade.

Caso você não entrar nesta edição, não desista, envie outros trabalhos, participe do fama ou da capa no site. Você sempre terá muitas chances de mostrar seu talento."


Todo mês são divulgados os temas da edição seguinte, mas quase sempre os temas são livres
È só mandar um e-mail com a imagem em baixa resolução(JPG- 72 dpi) que, se o trabalho for selecionado, eles mandam um e-mail solicitando os créditos e  imagem em alta resolução.
O e-mail para os envios é  


submit@zupi.org


As imagens são exibidas em duas sessões:


CARNE FRESCA é um espaço dedicado a novos talentos, estudantes ou profissionais brasileiros que estão começando na área. Não perca tempo e envie seus trabalhos. Boa sorte! 

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A GALERIA 
é outro espaço. Todos os trabalhos publicados nesta seção são enviados por artistas, ilustradores, designers, grafiteiros e fotografos dos quatro cantos do mundo.  Definimos algumas galerias temáticas e outras continuam com temas livres. Veja os DEADLINES:








Capa da edição 17




                             Capa da primeira edição
Essa já foi esgotada, mas você pode solicitar as revistas no site da www.zupi.com.br
 Esssa  é a Zupi erótika

 Edição N° 16
Ah, a revista também, segundo o site, deve estar à venda na Livraria Cultura.
A edição que eu tenho custa 14 mirréis



quarta-feira, 27 de outubro de 2010

Resenha Walter Benjamim

Acabei de fazer uma resenha do ensaio do Walter Benjamim, "A Obra de Arte na Era e sua Reprodutibilidade Técnica", e, como achei que o texto foi de grande importância pra minha vida, acho que pode ser muito importante também pra mais alguéns, e por isso compartilho aqui com vocês, a resenha poderia estar melhor, mas confesso que no final já estava dando um soninho.. então, se alguem tiver mais preguiça que eu e precisar dessa resenha, podem roubar, eu deixo, adoro compartilhar com atos "subversivos"
Ah, ouvi falar hoje que talvez Caetano não participe de nosso Reveillón =/. não é certo mas...Tem problema, não, titio Jorge dá conta do recado
Leiam, é muito bacaninha - claro, leia se gostar de arte, cinema e conhecimento.


BENJAMIM, Walter. Obras Escolhidas Vol.1 – Magia e Técnica, Arte e política. Ed. Brasiliense. 11ª reimpressão.São Paulo – SP, 2008

Walter Benjamim, em seu ensaio “A Obra de Arte na Era da Reprodutibilidade Técnica”, vai fazer uma análise sobre as tendências evolutivas da arte nas atuais condições de produção capitalista que se baseiam na exploração do proletariado, como Marx já havia previsto.
O novo panorama artístico põe de lado conceitos tradicionais como a criatividade, gênio, validade eterna, forma e conteúdo, já que a arte evolui junto com a humanidade, e diante de uma nova estrutura social, é natural que se apresente também uma nova forma de expressar e receber a arte.
A obra de arte sempre foi reprodutível. O que se apresenta como novo é a sua reprodutibilidade técnica, que vem evoluindo ao longo da história. A xilogravura se apresentou como um grande avanço na reprodução técnica do desenho, depois veio a litografia, que proporcionou a reprodução em massa de figuras na imprensa e a criação de novas formas de modo mais acessível. Surge então a fotografia, e pela primeira vez na história, a mão era liberada da responsabilidade artística, dando lugar ao olho, que tem a capacidade de aprender mais depressa do que o desenho manual. Dessa forma, o processo de aceleração das imagens experimentou uma profunda aceleração.
No início do século retrasado, inicia-se a reprodução técnica do som, com ela a reprodução técnica atingiu um padrão de qualidade que conquistou para si, junto a uma grande revolução, um lugar próprio entre os procedimentos artísticos.
Benjamim desenvolve o conceito de aura, que se constitui no “aqui” e “agora” de um objeto. Para ele, na reprodução técnica, por mais perfeita que ela seja, está ausente esse caráter, e por isso, sua aura. Para Benjamim nesse aqui e agora está contido a autenticidade da obra de arte. E assim, na reprodutibilidade técnica, a obra perde sua autenticidade.
Em contrapartida, o autor defende que com a reprodução técnica a obra de arte ganha em autonomia e se aproxima do indivíduo. O que se atrofia na era da reprodutibilidade técnica é a sua aura. Mas veremos o quanto essa aura tem tido pouco importância para as massas.
Com a reprodutibilidade técnica, a humanidade sofre um violento abalo na tradição, juntamente com sua renovação. O agente mais poderoso desse processo é o cinema.
Sabemos que ao longo da história, em meio às diversas mudanças e acontecimentos, a humanidade se transforma juntamente com suas formas de percepção, que são condicionadas também historicamente. A situação se ilustra ao observarmos as mudanças na arte ao longo dos tempos. Na contemporaneidade, o grande desafio é compreender o que levou a arte ao declínio da aura.
Na era das massas, a aura se extingue para que se atinja uma maior proximidade dessas massas através da reprodutibilidade. O objeto é retirado de seu invólucro e ele se transporta para um público, mesmo que esteja ausente sua autenticidade, com a produção de sua cópia ou reprodução de sua imagem.
As obras de arte mais antigas surgiram a serviço do ritual. Essa aura sempre esteve ligada à função ritualística da arte. A reprodutibilidade técnica vai emancipar, pela primeira vez na história, a arte se sua função de ritual. Com isso, modifica-se também sua função social e passa a atuar na esfera política.
Com o advento da fotografia a arte pressentia o início de uma crise, que viria a se aprofundar nos cem anos seguintes. Sua reação foi a inseminação de uma nova visão: a inserção da estética da “arte pela arte”, considerada uma teologia da arte.
Nesse novo estágio, o valor de culto começa a recuar diante do valor de exposição. O retrato, que pode ser considerado um culto ao rosto humano, é um fator de resistência nesse sentido. O retrato era o tema principal nas primeiras fotografias.  Quando o homem se retira da fotografia, o valor de exposição supera pela primeira vez o valor de culto.
Com a emancipação da fotografia para outros temas, como a fotografia de paisagens ausentes de pessoas, a obra ganha uma significação política. As imagens vão orientar a percepção num sentido predeterminado. Elas induzem o observador a seguir um caminho predefinido para se aproximar delas. Essa determinação é ainda mais precisa e imperiosa no cinema, em que a compreensão de cada imagem é condicionada pela seqüência das imagens anteriores.
No século XIX, passou-se muito tempo a se discutir o real valor artístico da fotografia em comparação à pintura. A polêmica foi, na realidade, a expressão de uma transformação histórica. A época não se deu conta da refuncionalização da arte. Porém, a invenção da fotografia vai alterar a própria natureza da arte e causar diversas transformações nesse setor. Um grande exemplo disso são movimentos como o impressionismo, que revolucionava a maneira se apresentar a imagem, de uma forma totalmente nova.
Mas tudo isso é só o começo para o que viria com o surgimento do cinema, que causou grandes reações de teóricos, que faziam um esforço para ligar o cinema erradamente ao culto.
No cinema, a reprodutibilidade técnica se torna obrigatória para sua existência. Enquanto que um quadro poderia ser comprado por uma pessoa que o colocaria em sua casa para exibição privada, com o cinema isso não acontece. O filme é uma coleção da criatividade, feito pensando nas massas, na era das massas e para as massas.
Voltando no tempo, podemos perceber que a produção artística começa a serviço da magia. O que importava nas criações era sua existência, e não que elas fossem vistas. Na atualidade, a esponibilidade é uma condição para a legitimidade da arte.
Assim, como Christian Metz, Benjamim também cita o fato de que no cinema os cidadãos comuns, trabalhadores desse sistema, se alienam de sua humanidade, ou, como fala Metz, de sua realidade. “Com a representação do homem pelo aparelho, a autoalienação humana encontrou uma aplicação altamente criadora.” (p.180 – grifo do autor)
A natureza ilusionística do cinema está inserida em seu processo de montagem, que leva ao cinema seu caráter de perfeição, já que é uma arte totalmente controlada, um procedimento puramente técnico.
O grande empecilho para que o cinema se torne uma ferramenta eficazmente política é sua exploração pelo capital. O capital cinematográfico dá um caráter contrarevolucionário às oportunidades revolucionárias imanentes a esse controle. Esse capital vai estimular uma nova forma de culto – o do estrelato, e por conseqüência, o do público.
Porém, com todo esse advento do cinema no capitalismo, vemos também, uma parte dessa massa excluída desse fenômeno cinematográfico, com a falta de condição de consumir ou mesmo compreender o cinema. Mesmo assim, a indústria cinematográfica tem todo o interesse de estimular a participação das massas através de concepções ilusórias e especulativas, com o uso do aparelho publicitário, podo a serviço a carreira e a vida pessoal das estrelas, corrompendo o interesse original das massas pelo cinema, se tornando também um interesse em sua consciência de classe.
Na arte contemporânea, quanto mais ela se afastar da original e se orientar à sua reprodutibilidade técnica, maior será sua eficácia, já que a demanda agora é por quantidade – quanto mais pessoas atingir, mais perto estará de seu objetivo. Talvez por todos esses fatores já acima referidos, a arte dramática se encontre em crise nesse sistema.
Em uma comparação com a arte pictórica, o autor fala de uma distancia existente entre o pintor, sua obra e a realidade, enquanto que o cinema penetra profundamente no corpo da realidade. Para o homem moderno, a descrição cinematográfica da realidade é muito mais significativa que a da pintura, porque ela oferece uma realidade livre de qualquer manipulação, graças a seu procedimento de penetrar, através do aparelho, na realidade.
Com o cinema, a arte se torna mais progressista. Essa virtude está ligada entre o prazer de ver e sentir por um lado  e a atitude especialista de outro.Quanto mais se reduz a significação social de uma arte, maior fica a distancia, no publico, entre a atitude de fruição e a atitude crítica.
Nessa relação homem aparelho, o homem representa não apenas a si mesmo, mas ao próprio mundo, fazendo-nos vislumbrar os condicionamentos de nossa existência. O cinema nos abre pela primeira vez o fenômeno do inconsciente ótico, que nos faz acreditar na ilusão da realidade proposta, que por trás das câmeras corresponde a luzes, aparelhos, maquiadores, equipe técnica, cortes, tomadas. E que à frente de nossos olhos parece um  novo mundo de sonhos.
Enquanto que as massas procuram na obra de arte distração, o conhecedor vai atrás de recolhimento. Para as massas a obra de arte é objeto de diversão, e para o conhecedor, objeto de devoção. Quem se recolhe diante de uma obra de arte, mergulha nela e nela se dissolve. A massa, distraída, faz a obra mergulhar dentro de si. O cinema se encaixa perfeitamente na demanda dessas massas, oferecendo uma dominante tátil de distração.
Benjamim conclui que o cinema é atualmente o objeto de maior importância  dentro da ciência da percepção que os gregos denominavam estética, já que ele penetra profundamente na aura da sensibilidade das pessoas, tendo a capacidade de tocar as massas mais imunes de sensibilidade.


 Buenas, Tchaaau

terça-feira, 24 de agosto de 2010

Tentativa Jean Baudrillard

A escrita desse sociólogo, poeta e fotógrafo francês não é das mais simples e me tirou um pouco do sério nesses últimos dias que eu tentava terminar o texto pra apresentar um seminário, mas é essencial na teorização da moda. Em quase tudo que li no que se referia ao social da moda, o nome dele estava lá. Então, vamos nessa, que no final das contas, se tornou essencial a mim também. Sou uma nova pessoa depois de ter lido.
primeiramente, já que é o assunto principal, vou definir um pouco o signo.
De acordo com Saussure, o signo é formado pelo significante e seu significado, é qualquer unidade significativa, de qualquer linguagem , resultante de uma união solidária entre significante e significado.
Significante: Forma gráfica + som. Imagem, acúsitca ou manifestação fônica do signo linguístico.
Significado: conceito. Valor, sentido ou conteúdo semântico de um signo linguístico.






A MODA OU A MAGIA DO CÓDIGO

Frivolidade do já conhecido


O autor vem falar que o privilégio da moda é de que nela, a resolução do mundo já é algo definitivo, de que o jogo diferencial, se torna na moda algo deslumbrante, quase mágico.
Tudo com base na ideia dos signos, de que as representações espalhadas pela moda são dotadas de significados que distribuem um código social entendido pelas pessoas.
 Estes signos não possuem determinação interna. A moda das coisas, dos corpos e dos objetos, são os chamados signos leves. Já a política, a moral, economia, cultura e sexualidade são signos pesados. Assim, os primeiros ficam livres para se transformar, se modificar constantemente. Em nenhum lugar o princípio da comutação age com tanta liberdade quanto na moda.
De qualquer forma, todas essas esferas, façam elas parte dos signos leves ou pesados, são, para o autor, assombradas pela moda, que é para ele a forma social mais profunda.
A moda nos impõe a ruptura da razão referencial. A razão cai no golpe referencial da alternância pura e simples dos signos.
O autor falar então de uma queda de todos os setores para a esfera da mercadoria, mas de uma queda mais forte ainda de todos esses setores para a esfera da moda. "Sob o signo da mercadoria, o tempo se acumula como dinheiro - sob o signo da moda, ele é interrompido e descontinuado em ciclos emaranhados".
Parece uma idéia tão contemporânea que fica meio doido a gente pensar que foi escrita há mais de 25 anos atrás. Não faz tanto tempo assim, mas é que as coisas antes pareciam mais vagarosas e ajustadas.
"A moda é sempre retrô, mas baseada na abolição do passado." É sempre esse paradoxo entre o velho e o novo. "Ela constitui o desespero de que nada dure, bem como o enlevo inverso de saber que, para além dessa morte, toda forma tem sempre a chance de uma existência segunda, nunca inocente..."

A "Estrutura" da Moda


A moda só existe no quadro da modernidade. Tanto que uma palavra deriva da outra.
A modernidade instaura simultâneamente um tempo linear, que é o do progresso, das tecnologias, e um tempo cíclico, que é o da moda.
Ele vai falar também da vulgarização nos campos científicos e culturais. Também nessas esferas é possível encontrar o jogo da simulação e da inovação combinatória.

A Flutuação dos Signos


A moda trata-se do único sistema de signos universalizável. Ela é uma flutuação de signos, estado especulativo puro.
É por essa indeterminação recorrente à moda que ela foge do ciclo linear e contínuo. Ela destrói a lógica da ordem e do belo, do previsível e determinante.

A "Pulsão" de Moda

Mais que mexer com os desejos, o próprio desejo já está na moda. Existe uma pulsão coletiva que age tão violentamente, "que nenhuma interdição conseguiu ser-lhe imposta".
"Desejo de abolição dos sentidos e de imersão nos signos puros, rumo a uma sociabilidade bruta, imediata.
É interessante quando ele fala que a moda conserva uma sociabilidade radical no que concerne à partilha dos signos, primeiramente imperceptível, mas que governa nossas ações quase que no inconsciente.
Para La Brueyére, o gosto pelas coisas vai além do que é bom ou ruim, as pessoas gostam do que é mais difícil de se obter, e logo que um signo se torna de fácil acesso, surge um novo signo de mais difícil apropriação, e surge junto o desejo, muito Bourdieu!
Para Oscar Wilde, a moda dá "ao homem uma segurança que sequer a religião lhe deu um dia"
"Paixão coletiva. Paixão dos signos..."
"Sem conteúdo, a moda se torna então o espetáculo que os homens dão a si mesmos do poder que têm de fazer significar o insignificante."(Barthes, Systeme de la mode)
Enquanto o cálculo econômico isola umas pessoas das outras, a moda é espontaneamente contagiosa, movida pela paixão, que não se baseia no feio e no belo, de ordem incoerente, inexplicável.
"É essa imoralidade no tocante a todos os critérios, essa frivolidade que dá à moda por vezes sua força subversiva e que faz dela um fato social total."
"A moda, assim como a linguagem, visa de imediato à sociabilidade." Porém a moda visa uma sociabilidade tetaral, uma simulação, espelho de um desejo de sua própria imagem. A linguagem visa a comunicação, a moda joga com a signifcação.
A moda é o lado encantador da mercadoria e da simulação, do código e da lei.

O Sexo Modificado


Baudrillard teoriza  sobre a paixão pelo artificial e pela futilidade, que vem sendo mais importante  que a pulsão sexual, já que a sexualidade atual tem investido na roupa, maquiagem e na artificialidade do corpo. A moda, que já teve a função de máscara pura em outros tempos, tem como função atual a significação do corpo.
"Na nossa cultura fixada no princípio de utilidade, a futilidade age como transgressão, como violência, sendo a moda condenada por esse poder nela existente do signo puro que nada significa."
Assiste-se um progresso da moda paralelo à certa emancipação da mulher, que perde perde o caráter na moda de um corpo escondido e de um sexo reprimido. Assim, toda a sociedade se feminiza à medida que as mulheres saem de sua discriminação.
"A mulher é separada de si mesmo e do seu corpo sob o signo da beleza e do princípio do prazer."
"A moda é imoral...ela nada conhece dos sistemas de valor nem dos critérios de julgamento: o bem ou o mal, o belo ou o feio, o racional/o racional - ela opera aquém ou além, funciona pois, como subversão de toda ordem..."
não há subversão possível na moda, ela é a relatividade de todos os signos. Não há como escapar dela, porque a própria tentativa de recusa já é um traço da moda -"o jeans é um exemplo histórico disso".





A Troca Simbólica e a Morte, de Jean Baudrillard, São Paulo, Loyola, 1986

sábado, 31 de julho de 2010

William Blake

Em uma conversa sobre excessos, me lembrei de Blake, meu querido William Blake.
Dedico essa semana que vem a ele e espero que todos nós consigamos utilizar sua sabedoria pelo menos durante esta semana.
Essas frases são do livro "O Matrimônio do Céu e do Inferno", escrito em 1793.


A primeira tinha que ser, claro:

"A estrada do excesso leva ao palácio da sabedoria"

"Na semeadura aprenda, na colheita ensine, no inverno desfrute."

"Guie sua carroça sobre os ossos dos mortos"

"A prudência é uma velha donzela feia cortejada pela incapacidade."

"Um tolo não vê a mesma árvore vista por um sábio."

"A eternidade está apaixonada pelas produções do tempo"

"A abelha ocupada não tem tempo para a tristeza"

"Ressalte os números de peso e medida em ano de escassez."

"Nenhum pássaro voa alto demais se voa com suas próprias asas."

"O mais sublime ato é pôr o outro antes de você."

"Se o tolo persistisse em sua tolice, ele se tornaria sábio."

"Sempre esteja atento para narrar sua mente e um homem humilde o evitará."

"Tudo que é possível de ser imaginado é uma imagem da verdade."

"Os tigres da ira são mais sábios que os cavalos da instrução."

"Você nunca sabe o que é o bastante até que saiba o que é mais que o bastante."

"Ouça os tolos reprovar! É um elogio dos reis!"

"Assim como a lagarta escolhe as mais belas folhas para colocar seus ovos, assim o sacerdote coloca sua maldição nas mais belas alegrias."

'O aperfeiçoamento faz estradas retas, mas as estradas tortas sem aperfeiçoamento são estradas de gênio."

"Antes assassinar uma criança em seu berço que acalentar desejos não realizados."

"É o bastante! Ou é demais!"

Massa né?
É o cara.
E o outro cara, o Jim Jarmusch, cita muitas destas frases acima e mais do conhecimento Blake em um de seus melhores filmes, Dead Man, de 1995, que conta com a atuação de nada mais nada menos que Jhonny Depp.